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CATL leva híbridos a 600 km em modo elétrico com menor uso do motor

CATL apresenta bateria Freevoy com até 600 km em modo elétrico, reduzindo uso do motor térmico em híbridos de autonomia estendida.

CATL leva híbridos a 600 km em modo elétrico com menor uso do motor

Nova bateria Freevoy reduz uso do motor a combustão e muda papel dos EREVs no uso diário

A CATL apresentou uma nova geração de bateria que pode mudar o papel dos veículos de autonomia estendida (EREV). Batizada de Freevoy, a segunda evolução do sistema eleva o alcance em modo totalmente elétrico para até 600 km, um número que começa a reposicionar esse tipo de arquitetura no mercado.

Além de ampliar a autonomia, a proposta da CATL é reduzir drasticamente o uso do motor a combustão nesses modelos. Segundo dados da própria empresa, EREVs com cerca de 400 km de alcance elétrico ainda acionam o gerador em aproximadamente 15% do tempo. Ao levar esse número para 600 km, essa taxa cai para menos de 1%, o que, na prática, transforma o uso cotidiano em algo muito próximo de um carro 100% elétrico.

CATL: segunda geração da bateria Freevoy hybrid

A nova Freevoy será oferecida em três configurações: LFP (lítio-ferro-fosfato), uma versão híbrida que combina LFP e NCM, e uma variante baseada em química ternária. Dependendo da configuração, o alcance elétrico varia entre 500 e 600 km, sempre com suporte a carregamento rápido de até 4C.

O ponto mais interessante, porém, está na arquitetura híbrida desenvolvida pela CATL. A empresa passou a combinar materiais LFP e NCM no nível das partículas, criando uma estrutura que busca equilibrar custo, densidade energética e desempenho. O resultado é um sistema com cerca de 230 Wh/kg, capaz de ampliar a autonomia entre 15% e 20% em relação às baterias LFP convencionais, sem aumento de peso.

Essa abordagem indica um caminho diferente do que vinha sendo adotado até aqui. Em vez de escolher entre químicas mais baratas ou mais eficientes, a CATL tenta extrair o melhor de cada uma dentro do mesmo pacote. É um movimento que reforça a ideia de que a próxima fase das baterias pode passar mais por integração de soluções do que por uma única tecnologia dominante.

Com 500 km de alcance elétrico na versão LFP, a proposta é permitir recargas semanais para um perfil típico de uso urbano e rodoviário leve. Já na configuração mais avançada, com mais de 600 km, o sistema praticamente elimina a necessidade de acionar o motor a combustão no dia a dia.

Quando o extensor entra em ação, o alcance total pode superar 2.000 km, o que mantém uma das principais vantagens desse tipo de arquitetura: a flexibilidade para longas viagens sem dependência direta da infraestrutura de recarga.

Além da autonomia, a CATL também destaca ganhos em desempenho e robustez. A nova Freevoy é capaz de entregar potência estável de até 1,2 MW mesmo com baixo nível de carga, chegando a picos superiores a 1,5 MW. No campo da segurança, a bateria recebeu reforços estruturais que elevam significativamente a resistência a impactos e condições extremas, incluindo vedação para longos períodos de submersão.

O avanço acontece em um momento em que os EREVs ganham espaço, especialmente no mercado chinês. Ao ampliar a autonomia elétrica a níveis próximos dos carros totalmente elétricos, a CATL acaba mudando a lógica desse tipo de veículo. O motor a combustão deixa de ser um elemento frequente de uso e passa a atuar quase como um recurso de contingência.

Isso tem implicações importantes fora da China. Em mercados onde a infraestrutura de recarga ainda é limitada, como o Brasil, soluções desse tipo podem ganhar relevância justamente por contornar uma das principais barreiras à adoção dos elétricos puros. Algo que já vem acontecendo com a sinalização da chegada de novos modelos baseados na tecnologia EREV, além do Leapmotor C10, o primeiro dessa nova leva de modelos chineses.

A nova Freevoy não é apenas uma evolução técnica. Ela mostra que em vez de uma transição direta entre combustão e elétrico, a indústria começa a explorar formatos intermediários cada vez mais eficientes  e, em alguns casos, cada vez mais próximos de eliminar a própria necessidade do motor térmico no uso cotidiano.

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Fonte

Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.

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