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GAC anuncia fábrica no México com início das operações ainda em 2026

Depois do Brasil, GAC anuncia que também terá produção no México; montadora será a primeira chinesa a ter fábrica por lá.

GAC anuncia fábrica no México com início das operações ainda em 2026

País norte-americano e o Brasil serão as duas pontas de uma mesma estratégia

Menos de um mês após anunciar oficialmente que fará carros no Brasil a partir do ano que vem, a GAC (Guangzhou Automobile Group Co.) revela que iniciará a produção de veículos no México ainda em 2026. Será a primeira marca chinesa a estabelecer uma fábrica própria naquele país, marcando uma nova fase de sua ofensiva na América Latina.

A decisão não representa apenas uma expansão de mercado, mas também uma manobra de sobrevivência. Desde o início de 2026, o governo mexicano — sob pressão dos Estados Unidos — impôs uma tarifa de importação de 50% sobre veículos fabricados na China. Ao produzir localmente sob a diretriz "De México para México", a GAC poderá contornar o imposto e manter seus preços competitivos frente aos concorrentes tradicionais.

Galeria: GAC GS3 Emzoom GL (Uruguai)

O México é hoje o país que mais compra automóveis chineses — não apenas pela expansão de fabricantes como BYD e MG, mas também pelos modelos que companhias tradicionais como General Motors, Ford e Kia vêm importando da China. O compacto Chevrolet Aveo, que no ano passado foi o segundo carro mais vendido no país (61.066 unidades), é importado da China desde 2018. Já a GAC emplacou apenas 8.500 carros no México ao longo de 2025.

Reaproveitamento de fábricas ociosas

O coração da futura unidade da GAC será um sistema de montagem flexível, capaz de alternar diferentes plataformas e motorizações em uma única linha. A fábrica estará preparada para produzir desde veículos com motor a combustão até híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos puros.

A gama inicial prevista para a linha de montagem mexicana inclui os crossovers e SUVs GS3 Emzoom, GS8 e o novo GS7, prestes a estrear no mercado local. O compacto elétrico Aion UT é outro forte candidato à nacionalização. A empresa confirmou ainda que a unidade produzirá picapes, segmento vital para quem pretende se expandir no país.

Se conseguir atender às exigências do Acordo Estados Unidos–México–Canadá (USMCA), a GAC poderá usar sua produção mexicana como base de distribuição regional, com potencial até para viabilizar uma futura entrada nos mercados dos EUA e do Canadá (em tese, claro, já que o cenário regulatório continua incerto).

Por enquanto, a GAC não revelou o local exato nem o montante total do investimento, detalhes prometidos para junho de 2026. No México, já se especula sobre o reaproveitamento de infraestruturas existentes, praticamente a única forma de atender a prazos tão curtos.

Fontes do setor indicam que a marca vem estudando duas unidades da Nissan em processo de encerramento de atividades: a fábrica de Cuernavaca, onde eram produzidos Versa e Frontier, e uma linha em Aguascalientes (em parceria com a Mercedes-Benz), onde eram montados os Infiniti QX50 e QX55. O Mercedes-Benz GLB continuará em produção até o fechamento total da unidade, previsto para maio.

Essa estratégia de fábrica própria diferencia a GAC da JAC Motors, que já opera no estado de Hidalgo, mas em um modelo de parceria local para montagem de kits CKD provenientes da China. A GAC buscará maior integração com fornecedores locais.

A rival BYD já demonstrou forte interesse em adquirir complexos desativados no país, mas ainda não inaugurou uma linha de montagem própria. Atualmente, a marca domina o mercado de elétricos no México apenas via importação.

Brasil e México: as duas pontas da “pinça”

O anúncio mexicano conecta-se diretamente à estratégia da GAC para o Brasil, em um "movimento de pinça" no continente. Enquanto a fábrica mexicana funcionará como hub para a América do Norte e Central, a operação brasileira será o centro das atividades no Mercosul.

Com o México iniciando suas operações ainda em 2026 e o Brasil em 2027, a GAC consolida seu plano "One GAC 2.0", garantindo que seus carros permaneçam competitivos nas Américas, independentemente da intensidade da guerra comercial entre Washington e Pequim.

GAC fará carros no Brasil na planta da HPE

No Brasil, o investimento anunciado é de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,4 bilhões) até 2029. Ao contrário do modelo totalmente independente que deverá ser adotado no México, aqui a GAC optou por uma parceria com a HPE Automotores, de capital 100% brasileiro. A produção está prevista para 2027, em Catalão (GO), aproveitando a estrutura já utilizada na montagem da picape L200 Triton de sexta geração e do SUV Eclipse Cross.

O arranjo envolve apenas a terceirização da manufatura. A GAC manterá sua própria estrutura no país, cuidando de marketing, rede de concessionárias e estratégias, enquanto a HPE responderá pela produção, com sua experiência fabril, mão de obra e instalações em Catalão.

Candidato a fabricação no México, GAC Aion UT será próximo lançamento da marca no Brasil

É diferente do que ocorre com a Mitsubishi, cuja operação no país é controlada pela própria HPE — responsável por importar, fabricar e distribuir os carros da marca japonesa.

A HPE não vai simplesmente integrar os modelos da GAC à linha da Mitsubishi. Será construída uma área específica, ou linha dedicada, dentro do complexo de Catalão para os carros chineses. A GAC terá total controle sobre fornecedores, índice de nacionalização e desenvolvimento dos modelos, incluindo a calibração do motor 1.5 turbo flex para o mercado brasileiro.

Não será apenas montagem de kits CKD: o acordo prevê estamparia, soldagem, pintura e montagem final — processos alinhados ao Programa Mover do Governo Federal. A GAC pagará à HPE pela produção de cada veículo (o primeiro fruto dessa parceria será o crossover GS3 Emzoom).

Futuramente, a produção da GAC no México e no Brasil poderá gerar uma economia de escala regional. Peças e tecnologias desenvolvidas ou nacionalizadas em um hub poderão abastecer o outro, reduzindo a dependência direta da China e criando um ecossistema industrial capaz de resistir a futuras variações tarifárias.

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