Em entrevista ao Motorsport.com, o chefe da montadora italiana deu detalhes sobre a preparação da equipe para o ano que vem
Foto de: Gold and Goose / Motorsport Images
Das cinco fabricantes atualmente inscritas na MotoGP, a Aprilia é a única que ainda não colocou em pista seu protótipo destinado à próxima temporada. Em 2027, o campeonato entrará em um novo ciclo regulamentar de cinco anos que, entre outras mudanças, trará a transição para um motor de 850cc em vez dos atuais 1.000cc.
Para se preparar para essa nova era, cada marca vem trabalhando há meses, para não dizer anos, no que será sua futura moto. A KTM foi a primeira a concretizar esse trabalho com um teste em pista, cujas imagens foram divulgadas em dezembro passado. A Yamaha e a Honda não demoraram a seguir o exemplo, antes que a Ducati também desse esse passo agora em abril, testando a moto de 2027 em Misano.
Por que razão a Aprilia ainda não deu esse passo? Simplesmente porque a marca não sente nenhuma pressa em colocar a 850cc para rodar, explica Massimo Rivola em entrevista concedida à edição italiana do Motorsport.com.
O CEO da Aprilia menciona tanto a vontade de não revelar prematuramente as escolhas feitas pelos engenheiros quanto uma capacidade que ele considera notável por parte da fábrica, a de passar rapidamente da projeção à concretização de qualquer desenvolvimento.
“Claramente, não temos pressa. Não digo isso porque 2027 não nos interessa. Simplesmente, não temos pressa”, explicou. “Tanto porque não queremos revelar nossas cartas a ninguém, quanto porque acredito que um dos grandes pontos fortes da Aprilia hoje é – , digamos de forma simpática, – o time to market [em marketing, o prazo entre a concepção e a entrada em operação, nota do editor]".
"Entre o momento em que temos uma ideia e o momento em que a concretizamos na pista, somos claramente rápidos. Acredito que esse seja um dos segredos do desempenho, seja o que for que façamos", continua Rivola.
"A rapidez com que tomamos decisões e levamos os projetos adiante, com uma motivação que pode ter um custo em termos de desempenho, deve valer a pena. Quando invisto, quanto tempo isso me leva e quanto me custa ? Isso está se tornando cada vez mais um ponto forte desta empresa".
“Todos os anos, sempre disse que nossa melhor moto seria a próxima, simplesmente porque sempre vi uma empresa em crescimento. Ora, se a empresa está em crescimento, seu resultado – neste caso, a moto – certamente será melhor em relação ao ano anterior", acrescentou.
Massimo Rivola, CEO da Aprilia Racing
Foto de: Qian Jun / MB Media / Getty Images
Uma versão “híbrida” do protótipo da Aprilia entrará na pista nos próximos dias, revelou Rivola, com um primeiro teste para a próxima temporada previsto para 30 de abril ou 1º de maio, em Jerez. Ele se inscreverá na continuidade do GP da Espanha, que a Aprilia disputará com um wildcard, e do primeiro teste oficial coletivo desta temporada, programado para segunda-feira.
“Começaremos a rodar com a moto de 2027 após a semana de Jerez, em um teste privado”, revela o chefe italiano, “mas é uma híbrido com a qual queremos simplesmente coletar algumas informações sobre o gerenciamento do motor para observar a correlação com o banco de testes".
Aerodinâmica continuará fundamental
O futuro regulamento técnico também imporá uma limitação à aerodinâmica, área em que a Aprilia assumiu orgulhosamente a liderança graças às inovações dos últimos anos. A mudança que se aproxima não preocupa Rivola, convencido de que a aerodinâmica continuará a ter um papel importante no desempenho, embora de forma diferente e reduzida.
“Isso terá uma importância diferente em relação a hoje, simplesmente porque teremos apenas uma carenagem menor com a qual trabalhar. No entanto, faço parte daqueles que defendem que isso terá uma importância muito grande", falou.
“Queremos manter nossa liderança tecnológica nessa área. Por isso, precisamos ser ousados e nos dedicar à tarefa de inventar algo que possa trazer satisfação”, destacou, defendendo “a coragem de inovar, inventar e não ter medo de errar” na maneira como, segundo ele, a Aprilia deve enfrentar os futuros desafios da MotoGP.
Entrevista realizada por Giacomo Rauli
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Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.
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