Andrea Stella saiu em defesa de Max Verstappen e reforçou o apoio da McLaren às mudanças planejadas para as unidades de potência da Fórmula 1. Além disso, o dirigente afirmou que a categoria precisa agir para evitar problemas maiores no regulamento de 2027.
Depois do GP de Miami, a FIA anunciou que havia, “em princípio”, um acordo com as fabricantes de motores para alterar a divisão de potência das unidades híbridas. Atualmente, o equilíbrio previsto é de 50/50 entre combustão e energia elétrica. Entretanto, a proposta discutida passa pela adoção de um modelo 60/40.
Ainda assim, a mudança enfrenta resistência dentro do paddock. De um lado, algumas fabricantes questionam os custos extras para adaptar os projetos já em andamento para 2026. A Audi, por exemplo, considera difícil justificar um novo investimento milionário após o desenvolvimento atual.
Por outro lado, existe preocupação em torno do sistema ADUO. Algumas equipes acreditam que a solução poderia beneficiar fabricantes que atualmente aparecem atrás no desenvolvimento das unidades de potência.
Verstappen também apoiou a mudança e demonstrou preocupação com o impacto do regulamento atual no comportamento dos carros.
“Se continuar assim, o próximo ano vai ser muito longo, e eu não quero isso. Posso dizer que, se permanecer desse jeito, vamos ver. Mentalmente, não é viável para mim continuar assim. Realmente não é”, afirmou o holandês.
Na sequência, o piloto da Red Bull indicou que algumas fabricantes tentam bloquear as alterações por interesse competitivo.
“Existem muitas outras coisas divertidas para fazer por aí. Mas vamos continuar positivos. Ainda estamos olhando para essas mudanças e, claro, algumas pessoas que talvez tenham vantagem neste momento vão tentar dificultar tudo. Porém, se a FIA for forte, e também do lado da FOM, eles simplesmente precisam fazer isso”, acrescentou.
Stella defende pacote completo para 2027
Stella já havia defendido alterações técnicas anteriormente. Contudo, durante o fim de semana em Montreal, o chefe da McLaren voltou a sustentar a mesma posição.
“Na minha visão, enquanto estamos nos acostumando com essa Fórmula 1, e enquanto demos alguns passos adiante com ajustes no hardware atual, além de talvez conseguirmos novos ajustes para 2026, eu acredito que uma mudança de hardware é necessária. Uma mudança que podemos resumir nesse 60/40, embora na realidade seja algo um pouco mais complicado do que isso”, explicou.
Além disso, Stella afirmou que preservar a qualidade do espetáculo deve ser prioridade para todas as fabricantes envolvidas.
“A proposta apresentada pela FIA, que analisa aumentar a potência do motor a combustão por meio do fluxo de combustível, redistribuir a potência elétrica na recuperação de energia, na entrega de potência e também na capacidade da bateria, fazia parte de um pacote muito importante para tornar a Fórmula 1 melhor. Esse interesse geral deve prevalecer sobre interesses particulares.”
“Porque, se não tivermos um bom esporte, se não preservarmos o valor do negócio e o valor da Fórmula 1, todos sairão perdendo.”
O dirigente ainda demonstrou confiança em um acordo entre as partes.
“Então, espero que a conversa em andamento leve a uma posição bem-sucedida. Deve existir um acordo que transforme esse 60/40 em realidade. Porque isso finalmente resolveria algumas limitações que são fundamentalmente inerentes ao hardware que usamos neste momento”, declarou.
McLaren aponta problema nas disputas
Além da preocupação técnica, Stella destacou que os pilotos continuam enfrentando dificuldades nas disputas em pista por causa da atual distribuição de energia das unidades híbridas.
“Estamos apenas nos acostumando com isso porque não queremos repetir os mesmos problemas. Porém, quando escuto o debrief dos pilotos, novamente ouvimos comentários como: ‘fiz um trabalho muito bom aplicando potência cedo na saída da Curva 7 e também da Curva 9, ganhei um pouco na saída’. Entretanto, o outro carro acaba recuperando porque aplicou potência mais tarde e agora possui mais deployment.”
Por fim, Stella reforçou que a categoria possui uma oportunidade clara para resolver a situação a partir de 2027.
“Então, acredito que isso é algo que queremos corrigir, e temos a possibilidade de fazer isso em 2027”, finalizou.
Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.
Autoracing - Fórmula 1