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Joy sempre quis um conversível. Depois de anos dirigindo peruas e resistindo a argumentos práticos sobre clima e uso nas montanhas, ela decidiu que queria um carro descoberto — não por necessidade, mas por uma mudança de estado de espírito. Foi esse tipo de cliente que a Toyota passou a mirar.

Como maior importadora dos EUA, a marca percebeu crescimento na demanda por carros abertos e resolveu tornar-se referência nesse segmento. A solução encontrada foi uma parceria com a Automobile Specialty Company (divisão da ASC, Inc.), responsável por transformar cupês Celica em conversíveis num processo industrializado, mas sob rígido controle japonês.

A ASC instalou uma fábrica em Long Beach avaliada em 5 milhões de dólares para realizar as conversões. As operações seriam aprovadas pelo Japão, com inspetores da Toyota presentes na linha e dois engenheiros da marca residindo no local para garantir que a reputação de qualidade e confiabilidade fosse mantida.

Segundo o gerente da planta, Marshall Zaun, o envolvimento japonês trouxe exigências minuciosas em cada etapa: procedimentos de montagem definidos, proteção contra corrosão, testes de estanqueidade e pontos de inspeção distribuídos no fluxo de trabalho. O resultado, em sua avaliação, foi um nível de qualidade exemplar para um projeto de início de produção.

O processo de transformação das Celica começa no Japão, onde as carrocerias notchback são quase terminadas e recebem um “kit” para adaptação. O reforço estrutural do assoalho e longarinas é majoritariamente feito antes do envio, com chapas, cantoneiras e tirantes adicionados para preservar cerca de 95% da rigidez original. Na Califórnia, a ASC remove o teto, solda reforços suplementares, instala ferragens e monta o conjunto de capota.

O Celica GT‑S conversível mantém um comportamento agradável ao volante. A capota protege bem contra chuva e granizo, o forro interno oculta as barras de sustentação com acabamento limpo, e um conjunto em três peças em fibra revestida de vinil cobre a capota recolhida. A janela traseira é de vidro rígido, com desembaçador elétrico, e baixa mecanicamente durante o recolhimento; com a capota para baixo há um acesso para bagagem e até para esquis.

Na estrada o conjunto esportivo responde bem: a suspensão calibrada do GT‑S e os pneus Potenza transmitem firmeza e permitem condução vigorosa. A versão conversível pesa cerca de 275 libras a mais que o cupê, efeito que às vezes se traduz em uma ressonância torsional e numa sensação um pouco mais flexível na carroceria — pequenas compensações frente ao prazer de dirigir descoberto.

Ficha técnica essencial: carroceria conversível 2 portas para quatro ocupantes, motor 4 cilindros em linha com bloco de ferro e cabeçote de alumínio, injeção eletrônica de combustível, 2.366 cm³ de deslocamento e 105 bhp a 4.800 rpm. Entre-eixos de 98,4 pol. e comprimento de 176,2 pol., com peso estimado em ordem de marcha de 3.000 lb. No conjunto, um conversível que busca conciliar a experiência aberta com padrões elevados de montagem e durabilidade.