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2027 Kia K4

O Kia K4 chega ao seu segundo ciclo de mercado mantendo a proposta de oferecer duas opções de carroceria: sedã e hatchback. Ambos apresentam linhas externas contemporâneas e cabine com visual moderno; há ainda a possibilidade de equipar um amplo painel composto por telas. O espaço interno é generoso para ocupantes dianteiros e traseiros, postura rara em compactos acessíveis.

A gama mecânica traz duas alternativas, sem opção híbrida. A versão de entrada conta com um 2.0 atmosférico de 147 cv, tração dianteira e câmbio CVT — combinação que privilegia suavidade, mas resulta em respostas mais lentas. A alternativa mais viva é o 1.6 turbo de 190 cv, reservada ao acabamento GT-Line Turbo e acoplada a um câmbio automático de oito marchas. Essa configuração traz aceleração convincente, porém com algum turbo lag e tendência da transmissão a evitar reduções imediatas, o que limita a agilidade para ultrapassagens.

No conjunto dinâmico há diferenças de acerto: as versões GT-Line e GT-Line Turbo adotam suspensão traseira multilink, enquanto as demais usam barra de torção. O K4 prioriza conforto — o rodar é elogiável — e entrega um comportamento competente, mas a proposta não rivaliza com a esportividade de concorrentes como Honda Civic e Mazda 3.

Quanto a consumo, a motorização 2.0 registra 29 mpg na cidade, 39 mpg em estrada e 33 mpg combinados segundo as avaliações disponíveis; o 1.6 turbo tem números um pouco inferiores: 26/33/28 mpg (cidade/estrada/comb.). Em um percurso mantido a 75 mph, o GT-Line Turbo alcançou 35 mpg na carroceria sedã e impressionantes 38 mpg na versão hatch.

O interior segue um desenho linear e elegante, com uma tela de 12,3 polegadas de série e opções de painel duplo composto por duas telas de 12,3” formando um display contínuo. Há botões físicos suficientes para controles essenciais, contraste bem-vindo diante da digitalização excessiva. Um display adicional de 5,0” centraliza comandos do ar-condicionado, mas sua posição pode ficar parcialmente obstruída pelo volante, tornando o acesso menos prático. O volante também se destaca pelo logotipo deslocado, elemento diferenciador no posicionamento visual.

Praticidade: atrás, ambos os modelos oferecem habitabilidade confortável, com o hatch entregando um pouco mais de altura para a cabeça devido à linha de teto mais plana. Exceto pelo nível básico LX, os bancos traseiros têm divisão 60/40; a partir do EX há apoio de braço central com porta-copos. No porta-malas o sedã acomodou sete malas de mão e chegou a 19 unidades com os bancos rebatidos; o hatch levou seis malas no espaço de carga e também totalizou 19 com os bancos baixos.

Em tecnologia, a conectividade é farta: Apple CarPlay e Android Auto sem fio e rádio por satélite são itens de série. Navegação embarcada aparece a partir do GT-Line; sistemas de som variam de quatro alto-falantes na versão básica a um conjunto Harman/Kardon de oito vias que é opcional no GT-Line e de série no GT-Line Turbo. A segurança ativa inclui pacote básico em todas as versões, mas o LX perde recursos como monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro; itens mais avançados, como assistente de frenagem por desvio e controle de cruzeiro adaptativo mais sofisticado, são oferecidos como opcionais.

Posicionado como opção atraente em preço e conteúdo — o GT-Line Turbo se mostra especialmente interessante por desempenho e equipamentos, com preço em torno dos US$ 30.000 — o K4 não sofreu alterações significativas desde sua chegada em 2025. Se a compra de um modelo praticamente novo não for prioridade, consultar unidades 2025/2026 em bom estado pode ser estratégia válida, já que não são esperadas mudanças relevantes para 2027.