Matéria

9 Conversíveis Acessíveis que Mostram que as Montadoras Costumavam Fazer Coisas Legais e Baratas

Conversíveis não são para todo mundo, mas poucos argumentos vencem a sensação de dirigir com a capota baixa. Apesar de hoje esse prazer ter se tornado artigo de luxo para muitos, houve épocas em que fabricantes ofereciam roadsters e cabrios acessíveis para uma geração inteira de entusiastas.

É difícil precisar uma razão única para a escassez atual: sedãs que deram lugar a SUVs, mudanças nas preferências do mercado ou mesmo uma prudência criativa na indústria. O fato é que, para encontrar conversíveis baratos, quase sempre é preciso olhar para o passado — décadas que ainda guardam modelos simples, divertidos e ao alcance de bolsos modestos.

O MGB ilustra isso como poucos. Lançado em 1962 e fabricado até 1980, trouxe uma construção monobloco no lugar das antigas carrocerias com armação de madeira e ajudou a modernizar a marca britânica. O motor 1.8 de quatro cilindros entregava algo como 95 cv nos anos 60, mas sofreu cortes de potência na era das emissões dos anos 70, caindo para algo entre 65 e 70 cv. Peças de época importantes: os primeiros exemplares (até cerca de 1968) tinham primeira marcha sem sincronizador, e a qualidade de acabamento caiu depois da chegada da British Leyland, quando partes metálicas e revestimentos foram barateados. Na época, seus preços novos ficavam entre US$ 2.500 e US$ 5.000 — convertendo para valores atuais, seria algo na casa dos vinte e poucos mil dólares —; hoje modelos médios circulam perto dos US$ 10.000, com exemplares decentes aparecendo na faixa dos US$ 6–7 mil.

Outro sucesso popular foi o Fiat 500 original, o "Cinquecento", nascido em 1957 para democratizar a mobilidade e produzido até 1975, com quase quatro milhões de unidades vendidas. Reapareceu em 2007 com motor dianteiro e uma oferta de personalização quase ilimitada, e desembarcou nos EUA em 2012 após já ter ultrapassado a marca de um milhão de vendidos no relançamento. A versão cabriolet 500C trouxe capota de tecido retrátil, e a configuração esportiva Abarth vinha com turbocompressor: o motor 1.4 de série entregava 101 cv, enquanto o Abarth elevava para 160 cv. O kit esportivo incluía amortecedores Koni, molas mais rígidas e baixas, pneus mais largos, freios maiores e adesivos específicos. Em 2013 um 500C Abarth partia de US$ 26.700; hoje esse modelo costuma ser encontrado na casa dos US$ 15 mil e pouco.

O terceiro MR2, conhecido como Spyder, também merece menção. Apresentado para o ano-modelo 2000, era uma quebra de linguagem em relação às gerações anteriores: único com carroceria conversível, visual entre o Miata e o Boxster e um foco em leveza — pouco acima de 2.200 libras (cerca de 1.000 kg). Seu 1.8 1ZZ-FED, de 138 cv, foi o único motor oferecido entre 2000 e 2005, e entregava dirigibilidade acessível sem as tiradas de traseira que marcaram o modelo turbo anterior. Saiu de fábrica por cerca de US$ 23.558 no lançamento, aproximadamente US$ 2.000 mais caro que a concorrente que mirava, e foi produzido em número relativamente baixo — menos de 28 mil unidades no total. Ainda assim, o mercado de usados traz o Spyder a preços médios competitivos, na ordem de US$ 11.200.

O Pontiac Solstice tem uma história curiosa, com envolvimento de executivos como Bob Lutz e um conceito ligado à Vauxhall; o desenvolvimento consumiu cerca de US$ 250 milhões antes de chegar à produção. Apresentado em Detroit em 2002, a versão final só foi comercializada como modelo 2006. O roadster vinha com o motor Ecotec 2.4 de quatro cilindros, com 177 cv e 166 lb-ft de torque, números próximos aos do Mazda concorrente. O preço base ao lançar foi de US$ 19.915; havia ainda a opção GXP turbo, de 260 cv, certamente mais valorizada hoje. Com produção até 2009, o Solstice de entrada acabou ficando barato no mercado de usados, com média na casa dos US$ 13.500.

Até mesmo esforços mais "cotidianos" da década de 1990 contribuíram para a cena dos conversíveis acessíveis. Em 1995 a Chrysler apresentou a plataforma JA, base para modelos como Dodge Stratus, Chrysler Cirrus e Plymouth Breeze — a chamada família "Cloud Car", batizada por nomes e imagens que evocavam espaços internos amplos e sensação de leveza. A ironia de carros "nublados" numa era de teto fechado não diminui o papel dessas plataformas na democratização de características antes restritas a segmentos mais caros.

Hoje, esses exemplos lembram que possuíamos um tempo em que capotas retráteis eram oferta normal mesmo para compradores jovens e econômicos. Se você busca um conversível com personalidade sem estourar o orçamento, olhar para o passado pode render boas surpresas: modelos com charme, manutenção factível e, acima de tudo, a experiência direta de dirigir ao ar livre — algo que o mercado moderno trata cada vez mais como luxo.