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A clássica relação entre NASCAR e os chamados 'Big Ones' se cumpriu mais uma vez em Talladega: a combinação perfeita entre velocidade extrema e colisões em massa transformou a corrida em um espetáculo dramático, digno das maiores pistas superspeedway como Michigan e a própria Talladega, palco de um recorde para a categoria apenas um ano antes.

A etapa da Cup Series no superspeedway do Alabama levou 40 carros à pista para um programa de 188 voltas dividido em apenas duas fases. A primeira parte transcorreu sem grandes incidentes, com Ryan Preece sendo o primeiro a receber a bandeira verde e branca ao final do estágio — uma calma que, ao que parece, antecipou a turbulência seguinte.

Quando a segunda etapa teve início, o pelotão abriu-se em quatro carros lado a lado a poucos comprimentos do pelotão da frente — uma formação que costuma ser prenúncio de instabilidade. No entanto, o elemento inicial do desastre não partiu exatamente desse grupo mais largo.

O gatilho visível, naquele primeiro instante, foi o Toyota de Bubba Wallace, o carro 23, que terminou sua trajetória contra a barreira SAFER. Em câmera rápida a impressão era de que Wallace havia perdido o controle, mas as imagens em câmera lenta entregam uma narrativa diferente e muito mais complexa.

Instantes antes, o Ford número 1 de Ross Chastain havia se deslocado para a faixa do meio vindo de trás; Wallace acompanhou a manobra e permaneceu à frente por alguns segundos. Mas o foco correto, ao rever o lance quadro a quadro, está nas posições centrais imediatamente à frente daquele ponto — em especial no Ford de Joey Logano, identificado também como carro 23, que vinha atrás de Wallace.

O contato começou quando Logano tocou o Ford nº 12 de Ryan Blaney; esse toque gerou uma reação em cadeia que empurrou Chastain e em seguida atingiu a traseira do carro de Wallace. O pequeno desequilíbrio virou um grande problema: o Toyota de Wallace oscilou, atravessou o pelotão e foi lançado contra o muro externo, ainda encontrando pela frente o Camaro de Cole Custer, nº 41.

Em menos de dez segundos o estrago se espalhou por quase toda a pista, recolhendo a maioria dos competidores — inclusive o piloto que viria a vencer a prova, Carson Hocevar. A gravidade do acidente forçou a direção de prova a suspender a corrida, enquanto veículos eram retirados e outros voltavam aos boxes para reparos.

A organização informou que 26 carros foram afetados, número que ficou apenas dois abaixo do recorde registrado no mesmo autódromo na temporada anterior. Talvez não tenha superado o marco histórico, mas o episódio entrou com força nas páginas que documentam os grandes 'Big Ones' de Talladega, reforçando o status do circuito como um templo de emoção e incerteza.