Título: Dirigir o Infiniti QX65 2027 me fez pensar 'Ah, pelo FX!' Categoria: Internacional
A Infiniti tenta costurar um elo com o lendário FX dos anos 2000, mas, fora a linha de teto inclinada e alguns detalhes pontuais, a conexão fica mais no marketing do que na substância. O QX65 é visualmente agressivo e segue a estética crossover-coupe, porém a herança do antigo esportivo é mais evocada que real.
Na traseira a aposta funciona: a queda rápida do teto até o para-choque, o grande spoiler de teto, um para-choque com aspecto difusor e a barra de luz com efeito 3D entregam presença. A marca produziu o QX65 "cortando" a traseira de um QX60 de três fileiras — o volume do porta-malas fica em 35,8 pés cúbicos atrás da segunda fileira, ou seja, apenas 5,8 pés cúbicos a menos que o QX60 original — e a sensação de largura combina com as dimensões generosas.
A frente é dominada por uma grade imponente que, segundo a Infiniti, foi inspirada por florestas de bambu; o efeito em camadas faz o emblema parecer flutuar. O conjunto ótico adota o padrão dividido, com as luzes de rodagem em estilo "teclas de piano" emanando da grade e os faróis principais posicionados abaixo.
A opção de pintura Sunfire Red chama atenção pela presença de partículas de vidro revestidas de ouro que dão brilho semelhante ao famoso tom de outras marcas. Nas imagens do evento eu acabei fotografando um exemplar em Radiant White — a cor dos carros foi definida aleatoriamente na apresentação — mas o vermelho realmente se destaca no trânsito.
No perfil lateral o carro revela sua origem: ao contrário do FX, que compartilhava plataforma traseira com G35 e 350Z, o QX65 usa a plataforma D de tração dianteira da Nissan. Isso limita o comprimento do capô e resulta em um entre-eixos visual mais curto entre as portas dianteiras e as rodas, algo que os entusiastas acostumados ao comportamento do FX vão notar com facilidade.
O interior, especialmente na versão Autograph, oferece acabamentos luxuosos à vista — couro matelassado, madeira real, metais — e equipamentos de destaque como um sistema Klipsch de 20 alto-falantes e 1.200 watts e duas telas de 12,3 polegadas. Ainda assim, há uma sensação de elementos emprestados de modelos Nissan mais baratos: plásticos piano black que acumulam digitais, grafismos da central datados e acabamentos que não combinam totalmente com o preço de lista, que supera os 71 mil dólares. Os assentos aquecidos, ventilados e com função de massagem são confortáveis, mas a massagem é discreta e mais promocional do que efetiva. Um ponto alto prático é o carregador Qi2 de 15 watts com ventoinha e ímã, que funciona como um MagSafe com resfriamento e prende o telefone com segurança.
Na estrada o QX65 se mostra competente em cruzeiro, mas longe de empolgante. O conjunto mecânico é o inédito motor 2.0 turbo de compressão variável — tecnologia impressionante no papel — entregando 268 cv e 286 lb-ft de torque, acoplado a uma caixa automática de nove marchas e tração integral de série. O sistema de realce sonoro ativo não pode ser desligado, e apesar de ajustes no pedal do acelerador e nos mapas de troca, a resposta não convida a um comportamento esportivo. A casa não divulga o 0–60 oficial, mas a estimativa fica em torno de 6,5 segundos; a capacidade de reboque chega a 6.000 libras.
Transparência: a Infiniti custeou minha viagem a Nashville, com alimentação e hospedagem, para a avaliação do QX65 Autograph. Em resumo, o novo crossover acerta no visual e no espaço interno, mas perde o espírito dinâmico e algumas referências de luxo que fariam a comparação com o FX ser mais convincente. Para quem busca presença e conforto em família, é uma opção forte; para puristas do prazer ao dirigir, há decisões de projeto que pesam contra.