O reinado dos SUVs e crossovers pode estar perto do fim. As forças de mercado que fizeram as montadoras encherem a linha com utilitários começam a se dissipar, e até propostas políticas — como a sugestão de reversão das normas de emissões do governo Trump, que reclassificaria crossovers como carros em vez de caminhonetes leves — podem trazer regras mais rígidas sobre o segmento. Além disso, números recentes de vendas apontam para uma fadiga dos consumidores em relação aos crossovers.
Diante desse cenário, perguntamos aos leitores quais sedãs merecem voltar agora. As respostas misturaram preferências pessoais e modelos consagrados pela crítica, com exemplos tanto de ícones domésticos descontinuados quanto de sedãs estrangeiros que já não são vendidos nos Estados Unidos. Fica claro: os sedãs ainda contam com admiradores bem vocais.
Entre as propostas apareceu o Mazda6 — imaginado como um sedã esportivo equipado com o turbo do seis em linha da marca, e também disponível numa carroceria perua. A ideia é resgatar dirigibilidade dinâmica sem abrir mão do estilo.
Houve quem pedisse um Buick grande e confortável, voltado ao conforto absoluto: bancos macios em vez de conchas esportivas, torque generoso, um porta‑malas amplo e comportamento de cruzeiro em estrada, sem a preocupação de ser testado por voltas em circuito.
Clássicos de luxo também foram lembrados. O Cadillac DeVille voltou nas menções como símbolo do luxo tranquilo das décadas de 1980 e 1990. Similarmente, o Toyota Avalon foi citado — especialmente a segunda geração, valorizada por banco dianteiro inteiriço e alavanca de câmbio na coluna; um leitor contou que o carro era tão aconchegante que um mecânico chegou a dormir na frente do veículo após um serviço.
Leituras mais modernas apareceram ainda: o Ford Fusion foi sugerido como um quatro portas (e perua) em versão elétrica, feita sobre a plataforma da E‑Mustang e batizada de E‑Fusion. A proposta combina tradição de sedã com a transição para powertrain elétrico.
Outros pedidos foram mais específicos: a retomada do Volvo 240 e do 740 perua com tração traseira, turbocompressor clássico, uma única tela de comando, controles físicos de climatização e até uma versão “Eurosport” com diferencial de deslizamento limitado e amortecedores magnéticos. Também surgiram clamor por ícones americanos como o Taurus e por longos sedãs de luxo japoneses — os Infiniti Q45/56/70 foram descritos como equivalentes japoneses ao Lincoln Town Car, com os V8 grandes sendo preferidos por alguns sobre o Lexus LS; o primeiro Q45, sem grade tradicional, foi citado como candidato a um retorno em configuração EREV.
Fechando a lista, menções ao Chevrolet SS — desejado como peça de mercado de usados — e a uma reinterpretação da Chrysler Fifth Avenue. Nesse último caso, sugeriu‑se usar arquitetura da Pacifica para recriar a linha alta do K‑body, torná‑lo rebocável em plano para atender cerca de 1.200 RVers por ano, vender outras 1.200 unidades para frotas de transporte e aceitar que o modelo pode ser descontinuado após três anos, com prejuízo estimado em 850 milhões, apenas para provar que a marca insiste em tentar.
Essas propostas mostram que, apesar da maré crossover, há espaço para sedãs com propostas definidas — do luxo clássico à esportividade refinada e à eletrificação pensada. Se as condições do mercado mudarem de vez, essas vozes podem guiar os fabricantes na volta de modelos que muitos ainda desejam ver nas ruas.