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Great Wall Motor, tradicionalmente associada a picapes e SUVs, anunciou um plano ambicioso: desenvolver um motor V8 para equipar um supercarro que terá como referência marcas de alto desempenho como a Ferrari. O projeto marca uma guinada em relação à imagem da empresa e sinaliza uma aposta clara em motores de grande cilindrada.

O modelo será lançado sob uma nova submarca batizada GWM GF — sigla que, segundo a própria fabricante, significa "Great Faith" — com apresentação prevista para algum momento de 2027. A configuração técnica já divulgada inclui um V8 biturbo de 4,0 litros com montagem central e uma célula monocasco em fibra de carbono, elementos típicos de hiperdesempenho.

Para comandar o desenvolvimento da plataforma e do veículo, a empresa contratou Adam Thomson, ex-chefe de engenharia da McLaren GT. A movimentação reforça a seriedade da investida: ao trazer expertise com experiência em carros de pista, a GWM busca resultados competitivos tanto em estrada quanto em circuito.

A ambição vai além do carro de rua. A Great Wall pretende transformar a plataforma em um carro de corrida na especificação GT3, e também oferecer uma versão de rua com viés GT3. A iniciativa indica intenção de homologação e atuação no paddock, além do lançamento comercial.

A estratégia contrasta com as tendências atuais do mercado chinês, mais voltadas a elétricos e híbridos plug-in. A decisão de priorizar motores de grande deslocamento recebeu influência de mercados externos, especialmente da Austrália, onde a preferência por blocos potentes ainda é forte, conforme feedback recolhido pela companhia.

O V8 não ficará restrito ao supercarro. A fabricante confirmou que o Tank 700, seu SUV com perfil off‑road, também receberá um motor V8 — um propulsor distinto daquele destinado ao supercarro, embora seja possível que compartilhem alguns componentes. Isso amplia o alcance da nova família de motores dentro do portfólio.

A fabricante já havia antecipado seus planos em janeiro, na CES, mostrando um motor boxer de oito cilindros em linha de 2,0 litros montado em motocicleta, capaz de 154 hp e 140 lb‑ft de torque, além do V8 de 90° e 4,0 litros pensado para automóveis. A empresa admite ainda a possibilidade de combinar motores de alta capacidade com sistemas híbridos no futuro, para atender a metas de emissões de CO2.

Ao exibir o V8 em Las Vegas e declarar foco em mercados globais, a Great Wall aponta para uma ambição de levar esses produtos além da China. Considerando a afinidade de alguns mercados com motores volumosos, não se pode descartar a chance de vermos essa ofensiva chegar também a países como os Estados Unidos. A aposta em V8s é ousada e promete desafiar padrões estabelecidos no universo do alto desempenho.