Há 25 dias de abastecimento de petróleo nos EUA, mas não entre em pânico
A interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz elevou o alerta mundial sobre combustíveis, e os Estados Unidos chegaram a ter algo em torno de 25 dias de abastecimento de óleo. Apesar do número chamativo, especialistas afirmam que um desabastecimento total por aqui é extremamente improvável — o risco real é o impacto dos preços e da interdependência com o mercado global.
Os EUA são hoje um dos maiores produtores mundiais, com produção chegando a 13,9 milhões de barris de petróleo por dia, mas também exportam parte significativa dessa produção — cerca de 4,8 milhões de barris. No consumo doméstico, os americanos utilizam entre 8 e 9 milhões de barris de gasolina por dia. Além disso, os estoques estratégicos somam 413 milhões de barris de petróleo cru, um colchão que pode ser acionado se necessário.
A conta simples sugere que, se todo o petróleo extraído fosse convertido exclusivamente em gasolina, a balança ficaria quase equilibrada. Na prática, grande parte do petróleo é refinada em outros derivados, e os EUA continuam precisando importar óleo para suprir demanda de gasolina e diesel em determinados momentos e regiões.
Os efeitos já aparecem nos postos: o preço médio da gasolina nos EUA ultrapassa US$4 por galão, enquanto a pressão é ainda maior na Europa, onde o preço médio subiu de US$5,93 para US$10,10 por galão. Com os valores europeus em alta, produtores americanos podem ser tentados a direcionar mais embarques para o exterior em busca de margens melhores, reduzindo oferta doméstica.
Na visão de Patrick Anderson, do Anderson Economic Group, o impacto imediato é econômico: combustíveis mais caros sinalizam risco de inflação e representam custos reais, sobretudo pelo aumento do diesel, que afeta transporte e produção. Todavia, ele reforça que a probabilidade de simplesmente “ficar sem petróleo” é baixa.
A prolongação do bloqueio no Estreito de Hormuz aumenta a chance de mais reajustes aqui. Países que dependem de rotas marítimas tiveram de buscar alternativas — seis cargueiros agendados para a Austrália este mês foram cancelados e não foram substituídos integralmente, levando centenas de postos a ficar sem ao menos uma graduação de combustível.
Enquanto isso, a resposta americana passa por duas alavancas: reduzir exportações e, se necessário, utilizar reservas estratégicas. A produção doméstica também tem atuado como amortecedor, mas a realidade é clara: em um mercado global pressionado, o consumidor sente no bolso — é uma crise de preço e logística, não de ausência absoluta de petróleo.