O Salão de Pequim 2026 impressionou pelo tamanho e pela ambição: montado em dois centros de exposições separados, com quase 1.500 veículos expostos e mais de 200 estreias entre modelos de produção e conceitos. Entre tanta novidade, o que mais chamou a atenção foram os elétricos de alto desempenho e visual extravagante, propostas que parecem desafiar o bom senso e ditar novas tendências de estilo e técnica.
A Peugeot apresentou dois conceitos com linguagem nova, voltados ao mercado chinês: o Concept 6, com silhueta de perua elegante, e o Concept 8, mais alto e com perfil de SUV. Ambas as peças priorizam o impacto visual em detrimento de detalhes técnicos, adotando frente agressiva marcada por três fileiras horizontais de LEDs — um elemento que remete simbolicamente às garras do leão da marca — e superfícies recortadas que reforçam presença e dinamismo.
Do lado dos supercarros elétricos, a Denza trouxe o Z, agora pronto para produção. O esportivo virá em três configurações — cupê com teto rígido, conversível soft-top e uma versão radical para pista — e ostenta mais de 1.000 cavalos de potência. A fabricante declara aceleração de 0 a 62 mph em menos de 2,0 segundos e soluções técnicas sofisticadas, como direção by-wire, amortecedores magnetorreológicos e o sistema de recarga rápida da BYD, capaz de aceitar até 1.500 quilowatts em carregadores especiais.
Ainda no universo BYD, a marca Fangchengbao revelou a Formula X, um conversível que evolui o conceito Super 9. Com carroceria e chassi em fibra de carbono, linhas sensuais e capô alongado, a Formula X traz conjunto elétrico tri-motor de 1.000 cv e 737 lb-ft de torque, com produção prevista para o próximo ano. A mesma marca expandiu sua gama com três modelos “Formula” de produção — Formula S, Formula SL e Formula S GT — carros mais baixos e alongados, com arquitetura elétrica de 800 volts e a ambição de concorrer em segmento premium; a família chega ao mercado chinês ainda este ano.
Nem só de hipercarros viveu Pequim: o Leapmotor B05 Ultra (vendido na China como Lafa5 Ultra) exemplifica a acessibilidade dos elétricos locais. Com 176,7 polegadas de comprimento — dimensão próxima a um hatch médio — a versão Ultra traz motor elétrico traseiro de 241 cv, aceleração para 62 mph na casa dos cinco segundos e mais de 300 milhas de autonomia. O modelo padrão será vendido na Europa por cerca de US$ 31.000, enquanto o Ultra custará cerca de US$ 18.135 na China; a startup conta com participação aproximada de 20% da Stellantis.
Por fim, a Lynk & Co exibiu o coupé-conceito “Time to Shine” GT, uma grand tourer de duas portas com estética contida e elegante: capô longo, vincos vigorosos e elementos aerodinâmicos móveis — splitter frontal e aerofólio traseiro que se implantam em modo desempenho — além de rebaixamento da suspensão em 0,6 polegada. A marca afirma tração traseira e 0 a 62 mph abaixo de 2,0 segundos, sem detalhar a natureza do conjunto motriz.
O balanço do evento é claro: a China segue impondo um ritmo acelerado na evolução dos elétricos, indo do acessível ao absolutamente escandaloso em potência e design. Muitos desses projetos têm data de produção próxima, e a mistura de tecnologia de ponta com formas cada vez mais arrojadas promete transformar o segmento de luxo elétrico nos próximos meses.