Categoria: Internacional
É natural pensar que quanto mais forte o parafuso, mais seguro o carro. Na prática, porém, nem sempre é assim: em algumas aplicações automotivas certos parafusos são projetados deliberadamente para atuar como ponto fraco, rompendo-se sob cargas específicas para proteger componentes mais caros ou críticos.
Um veículo chega a ser composto por cerca de 30.000 peças individuais, e mantê-las unidas por muitos anos exige uma variedade enorme de elementos de fixação. Apesar de avanços em soldas a laser e adesivos, o parafuso e sua porca continuam amplamente empregados na construção de carros e caminhões.
Esse papel também pode mudar conforme a aplicação. Em situações de estresse elevado — por exemplo, quando um carro passa por um buraco profundo — componentes podem sofrer danos severos. Parafusos do tipo “shear” (com pino de cisalhamento) são projetados para ser um ponto de ruptura controlado, falhando primeiro para evitar que a peça inteira seja comprometida. Trocar um ou dois parafusos costuma ser muito mais simples e barato do que substituir um conjunto inteiro.
A construção desses elementos é o segredo. Um parafuso de cisalhamento tem um corpo roscado que sustenta a peça e um pino integrado que funciona como o ponto vulnerável. Esse pino resiste apenas até determinado nível de força; ultrapassado esse limite, ele se rompe segundo o projeto — razão pela qual grades de parafuso de maior resistência nem sempre são indicadas para essas aplicações.
Nos Estados Unidos, a Society of Automotive Engineers (SAE) estabelece normas para parafusos na indústria automotiva. O conceito de “grau” vai além de um mero rótulo de força: considera-se a tensão de escoamento, a resistência à tração e também testes adicionais que avaliam dureza, tratamentos térmicos, composição química e desempenho mecânico.
Em termos práticos, níveis mais altos de grau em geral indicam maior resistência. Um parafuso Grade 2 apresenta resistência à tração de cerca de 60 ksi e serve a aplicações de baixa solicitação. Já parafusos Grade 8, empregados em transmissões e outras áreas sujeitas a forças elevadas, têm resistência da ordem de 150 ksi. Há ainda subgraus; por exemplo, o Grade 5 possui o 5.1 para conjuntos pré-montados com arruelas presas e o 5.2 para parafusos nus.
Além disso, a maioria das montadoras norte-americanas já adotou parafusos métrico, que são classificados em megapascais. Para aplicações de alta carga em trem de força, busca-se normalmente unidades 10.9, com resistência à tração próxima de 1.040 MPa. Em suma, a escolha do parafuso deve ser orientada pela função e pelo projeto: nem sempre a peça mais resistente é a mais segura — às vezes, é exatamente o contrário.