Um conversível Corvette C4 de 1986, todo original e com baixa quilometragem, aparece à venda por US$ 18.500. À primeira vista, é difícil não se impressionar: pintura metálica Gold, interior saddle e preto, capota de lona preta e apenas 10.138 milhas no hodômetro, segundo o anúncio. Esses números e o estado aparente do carro justificam uma análise mais cuidadosa.
A história deste chassi tem pontos curiosos. A quarta geração do Corvette estreou como modelo 1984, após uma tentativa de lançamento em 1983 ter sido adiada por problemas de qualidade. Foi a primeira reescrita total do projeto desde o C2, de 1963, trazendo chassi, suspensão e interior novos, ainda que as opções de motor tenham vindo do fim da era C3. O conversível só retornou à linha em 1986, depois de mais de uma década sem teto retrátil — a ocasião teve até papel de destaque na programação das 500 Milhas de Indianápolis daquele ano.
A raridade do acabamento chama a atenção: o vendedor afirma que foram produzidas apenas 777 unidades em Gold Metallic naquele ano, algo em torno de 2,21% do total. Se verdadeiro, isso soma apelo para colecionadores: pintura supostamente original, o conjunto de interiores e a capota preservados completam o argumento de originalidade.
Sob o capô está o V8 L98 de 350 polegadas cúbicas. A evolução do sistema de alimentação no meio da década foi marcada: a injeção 'Cross-Fire' deu lugar, em 1985, à injeção por corpo de borboleta individual, elevando a potência de 205 para 230 cv; em 1986 houve ganho adicional de 5 cv graças a coletores e cabeçotes de alumínio. Os freios antiblocantes também passaram a equipar de série esse ano.
O habitáculo traz itens que datam a época e agradam os puristas: painel digital, um curioso módulo diante do acompanhante e um grande capô de painel que aqui parece íntegro — problema comum nessa geração. Os bancos são concha, com couro e regulagens elétricas; os apoios laterais são profundos e as soleiras elevadas tornam entrar e sair uma operação que exige flexibilidade. Aparentemente o couro e os bolsos laterais estão bem, embora a placa com o script CORVETTE mostre algum desgaste.
Algumas observações práticas: o câmbio é o manual Doug Nash 4+3, que adiciona um overdrive secundário às marchas altas através de um botão no seletor — solução peculiar que foi substituída depois por um seis marchas ZF. O motor, segundo as fotos, está limpo e completo, inclusive com a peça plástica que cobre o distribuidor; por outro lado os pneus aparentam envelhecidos, sem códigos visíveis, e merecem atenção antes de rodar.
A documentação divulgada no anúncio inclui um resumo Carfax sem registros de acidentes e quatro registros de manutenção. O vendedor pede atendimento com hora marcada e mantém o preço de US$ 18.500 para um exemplar anunciado em Richmond, Virginia. Resta a questão: o conjunto de originalidade, raridade e estado justifica o valor pedido ou trata-se de uma avaliação entusiasmada demais por uma C4 dourada?