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Porsche anunciou a venda de suas participações na Bugatti‑Rimac e no grupo Rimac para um consórcio liderado pela norte‑americana HOF Capital. A operação representa mais uma reconfiguração no mercado de marcas hiperesportivas e altera a composição acionária de empresas de alto desempenho.

A montadora alemã concordou em se desfazer de sua fatia de 45% na joint venture Bugatti‑Rimac, criada em 2021 para administrar a histórica fabricante francesa, além de sua participação de 20,6% no grupo Rimac. Ambas as parcelas integram o pacote que será transferido ao novo conjunto de investidores.

O consórcio comprador é encabeçado pela HOF Capital e reúne ainda a BlueFive Capital, com sede em Abu Dhabi, e um grupo de investidores institucionais espalhados pelos Estados Unidos e pela União Europeia. A composição indica interesse transatlântico na continuidade dos projetos de alto valor agregado.

Nos bastidores, a decisão ocorre em meio a uma reavaliação estratégica na Porsche. A empresa registrou uma queda de mais de US$ 5 bilhões no lucro em 2025 em comparação a 2024, medida que acelerou ações para ajustar o rumo financeiro e concentrar esforços nas linhas centrais do negócio, segundo a direção da companhia.

A negociação também simboliza o fim de um longo período de influência do Grupo Volkswagen sobre a Bugatti. A presença do conglomerado alemão na fabricante francesa remonta a 1998 e teve papel determinante na trajetória da marca até a formação da parceria com a Rimac.

Mate Rimac, líder do grupo que agora assume o controle operacional da Bugatti‑Rimac, agradeceu o apoio da Porsche durante a fase de consolidação. Segundo ele, a base deixada pela parceria cria condições para acelerar a execução dos planos estratégicos de longo prazo.

Os valores financeiros da transação não foram divulgados no comunicado da Porsche; espera‑se que detalhes fiquem mais claros em balanços futuros. A conclusão depende ainda de aprovações regulatórias que, segundo as partes, devem ser finalizadas até o fim do ano.