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Serviços de robotaxi põem o 'auto' em autônomo

Categoria: Internacional

A paisagem de São Francisco agora tem um novo protagonista: frotas de veículos autônomos que circulam com frequência quase tão natural quanto o nevoeiro. A Alphabet opera mais de 800 veículos autônomos em uma área de 260 milhas quadradas da Bay Area, enquanto também mantém centenas de AVs em cidades como Phoenix, Los Angeles, Miami, Atlanta e Austin — um serviço ativo que já ocupa cerca de 700 milhas quadradas e segue em expansão.

No campo comercial norte-americano, a liderança da Alphabet é clara, mas há concorrência. A Zoox, apoiada pela Amazon, também opera robotaxis sem a opção de intervenção remota humana em alguns mercados, ainda que em áreas mais restritas — partes do nordeste de São Francisco e um trecho de Las Vegas. A Tesla, por sua vez, oferece um serviço Robotaxi sem operadores humanos em regiões do Texas.

A transição da pesquisa para a produção em escala ganha forma em fábricas dedicadas. Em parceria com a Magna, a Waymo instalou um polo em Mesa, Arizona, para integrar seus sensores em modelos da Jaguar e da chinesa Zeekr; a Zoox mantém fábrica em Hayward, Califórnia. Ambas as unidades têm capacidade potencial para produzir ao menos 10.000 unidades de seus projetos.

Há diferenças regulatórias e de produto que ajudam a definir estratégias. A Zoox obteve uma dispensação da NHTSA para operar veículos sem volante e pedais em vias públicas, mas essa autorização vale, por enquanto, apenas para veículos de demonstração — o que impede a cobrança comercial até nova aprovação. A Waymo mantém controles tradicionais em sua frota comercial e já cobra por viagens, embora suas receitas estejam longe dos investimentos acumulados; o mercado, entretanto, aposta em crescimento: a empresa aparece avaliada em US$ 126 bilhões.

No núcleo técnico desses robotaxis estão conjuntos de sensores: múltiplas câmeras, radares e unidades lidar trabalham em conjunto para mapear o ambiente. Câmeras evoluem rapidamente, mas perdem eficiência em baixa luminosidade e neblina; radares e lidars trazem complemento importante, detectando obstáculos por ondas de rádio ou pulsos de luz quando a visão óptica falha.

Os carros também diferem no conceito de produto. A Waymo apostou em elétricos da Jaguar e, mais recentemente, no Ojai — uma minivan elétrica inspirada no Zeekr Mix e desenvolvida com a Geely. Já a Zoox projetou seu veículo internamente, livre das restrições ergonômicas de um condutor humano. O resultado é um carro compacto — 142,9 polegadas de comprimento, ligeiramente menor que um Fiat 500e — com duas metades espelhadas e redundâncias: cada extremidade abriga uma bateria de 67 kWh, motor de 134 cv e sistema de direção que permite controlar as quatro rodas.

O interior do Zoox privilegia quatro passageiros com bancos em dois bancos de dois lugares frente a frente e portas de vidro em comprimento total, gerando sensação de espaço, embora deixe alguns ocupantes de costas — um ponto que pode incomodar os mais suscetíveis a enjoo. Amortecedores ativos reduzem movimentos laterais e imperfeições do piso, mas há percepção de mergulho em frenagens fortes. Em um dos testes, o desconforto surgiu quando o carro freou de forma brusca ao detectar risco à frente — uma resposta que indica sensibilidade elevada do sistema, melhor do que subestimá-lo, mas não isenta a tecnologia de eventos incidentes: no segundo semestre de 2025 a Zoox reportou 22 incidentes à NHTSA, enquanto a Waymo submeteu 449 relatórios.

Com mais de 200 milhões de milhas rodadas de forma autônoma, a Waymo sustenta que seus dados apontam maior segurança dos AVs em comparação a motoristas humanos. Ainda assim, sem verificação independente e com informações públicas limitadas, a avaliação definitiva sobre a superioridade em segurança permanece em aberto. Para quem acompanha os avanços, a era dos robotaxis já saiu da promessa — e começa a competir na prática pelas ruas e pelas regras do mundo real.