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A história por trás do conversível Celica GT‑S de 1985 é tão calculada quanto a engenharia do próprio carro. Quando a demanda por conversíveis cresceu, a Toyota decidiu atender a esse público de forma meticulosa: em vez de simplesmente recortar um teto, montou uma operação específica para transformar o cupê em ragtop com controle total sobre qualidade e procedimentos.

O trabalho de conversão ficou a cargo da Automobile Specialty Company (ASC), que instalou uma planta em Long Beach com investimento de US$ 5 milhões. As carrocerias notchback saíam do Japão quase completas, acompanhadas de um “kit” de itens a serem acrescentados na Califórnia. O objetivo declarado foi preservar performance estrutural: o Japão já instalava a maioria dos reforços debaixo do carro para garantir cerca de 95% das rigidezes de viga e torção originais.

No processo final, a ASC remove o teto, acrescenta novas travessas e chapas, fixa os elementos necessários e monta o teto de tecido. A operação contou com inspetores próprios da Toyota e com dois engenheiros da marca em tempo integral na fábrica, além de procedimentos rigorosos de proteção contra corrosão, testes de estanqueidade e estações de inspeção ao longo da linha de montagem.

O resultado é um conversível que mantém muito do comportamento dinâmico do GT‑S. O conjunto é agradavelmente agradável ao dirigir: a suspensão afinada e os pneus Potenza entregam segurança e resposta, e o ambiente interno se mantém notavelmente silencioso até as velocidades máximas, com o teto tanto fechado quanto recolhido. A carroceria, porém, passa a pesar cerca de 275 libras a mais que o cupê, e ocasionalmente surge uma ressonância torsional, uma leve sensação de flexibilidade que não existe nas Celicas sem corte.

O acabamento do teto merece destaque por vários detalhes práticos: forro interno que oculta as hastes, uma cobertura tripartida em fibra com revestimento vinílico para guardar o conjunto quando recolhido e um vidro traseiro rígido com aquecimento elétrico que se articula ao descer. Com o teto para baixo, permanece uma passagem para o porta‑malas — útil para esquis aquáticos, por exemplo.

Dados técnicos resumidos: motor inline‑4 com bloco de ferro e cabeçote de alumínio, combustível por injeção, deslocamento 144 in3 (2366 cm3) e potência de 105 bhp a 4800 rpm. Configuração mecânica: dianteiro, tração traseira, para quatro ocupantes em duas portas. Dimensões principais informadas: entre‑eixos 98.4 in, comprimento 176.2 in; peso estimado em ordem de marcha 3000 lb.

No fim, o Celica GT‑S conversível de 1985 buscou conciliar o prazer do teto aberto com a filosofia de qualidade que a Toyota vinha cultivando. É um conversível pensado para quem quer ser visto e, ao mesmo tempo, rodar com confiança — mesmo que isso signifique um pouco mais de massa e alguns compromissos dinâmicos em relação ao cupê original.