Aldo Costa, ex-chefe de engenharia da Ferrari e Mercedes, acredita que a Aston Martin errou na maneira como estruturou a chegada de Adrian Newey à equipe. O italiano também demonstrou preocupação com a direção geral do projeto britânico na Fórmula 1.
As críticas surgem justamente em meio ao péssimo início da Aston Martin na temporada 2026. Desde as primeiras etapas do campeonato, a parceria com a Honda enfrenta problemas de vibração, confiabilidade e dirigibilidade.
Ao mesmo tempo, Costa também colocou em dúvida a dupla de pilotos composta por Fernando Alonso e Lance Stroll.
“Potencial? Não sei”, afirmou Costa durante participação no podcast Terruzzi Racconta. “Talvez eu não goste da combinação da Aston Martin. Inclusive, até do ponto de vista mental, a dupla Stroll e Alonso me deixa dúvidas”.
Costa vê Aston Martin distante do potencial esperado
Além das críticas à formação da equipe, Costa ressaltou que a performance atual da Aston Martin se torna ainda mais preocupante por causa do enorme investimento realizado nos últimos anos.
“A Cadillac ainda nem entrou no jogo”, comentou. “No entanto, a Aston Martin está muito pior em relação ao potencial que tinha”.
Em seguida, o veterano engenheiro criticou diretamente Adrian Newey pelas declarações públicas feitas contra a Honda após o desastre vivido pela equipe em Melbourne.
“Vou dizer isso abertamente: nunca tinha visto um ataque de Newey tão fora de lugar”, declarou. “Foi algo muito agressivo e extremamente público logo no início do campeonato contra o próprio parceiro. Você simplesmente não faz isso”.
Italiano aponta falhas de liderança
Segundo Costa, o episódio acabou expondo problemas internos mais profundos dentro da estrutura da Aston Martin.
“Infelizmente, isso destacou falta de gestão e também falta de liderança”, afirmou.
“Depois, eles disseram: ‘Em novembro, fomos ao Japão, percebemos que não estavam usando as mesmas pessoas do antigo projeto de F1 e vimos que havia atraso na unidade de potência’. Mas sinceramente, em novembro? Eles deveriam saber disso muito antes”.
Além disso, Costa afirmou que um verdadeiro líder precisa proteger a equipe publicamente durante períodos difíceis.
“Na minha opinião, um chefe não pode dizer: ‘Se vencermos, eu ganho. Porém, se perdermos, vocês perdem’. Você nunca deve agir dessa maneira. Se é um bom líder, deve fazer exatamente o oposto”.
Costa elogia Newey, mas faz ressalva
Apesar das críticas, Costa deixou claro que possui enorme respeito pela capacidade técnica de Newey.
“Nunca trabalhei com ele, mas tenho enorme respeito. Afinal, talvez ele seja a pessoa mais bem-sucedida da história da F1. Tenho respeito ilimitado pelas habilidades técnicas dele”.
Ainda assim, o italiano acredita que Newey sempre foi mais forte na parte técnica do que na área de gestão e organização.
“O feedback de quem trabalhou com ele confirma que o maior talento dele é técnico”, explicou. “Por outro lado, na parte organizacional e de gestão, ele é um pouco menos forte”.
Por isso, Costa acredita que Newey encontrou na Red Bull o ambiente ideal para maximizar seu talento.
“Ele precisa de suporte. Portanto, é importante encontrar uma equipe como a Red Bull”, disse. “Na Red Bull, embora tivesse um papel extremamente importante, ele nunca ocupou formalmente o cargo de diretor técnico”.
Enquanto isso, a Aston Martin parece recalibrar internamente o papel de Newey após sua chegada cercada de enorme expectativa.
Paralelamente, relatos recentes da imprensa britânica indicam que o engenheiro de 66 anos também se recupera de problemas de saúde e trabalha parcialmente de casa.
Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.
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