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Dongfeng M-Hero 917L mostra o poder de um guerreiro destemido

Grupo chinês Dongfeng que logo chegará ao Brasil estuda trazer jipão Dongfeng M-Hero 917L de mais de 1.000 cv ao país.

Dongfeng M-Hero 917L mostra o poder de um guerreiro destemido

Grupo chinês que logo chegará ao Brasil estuda trazer jipão de mais de 1.000 cv

A Dongfeng Motor Corporation está para chegar ao Brasil. Uma das quatro grandes estatais automotivas da China, ao lado de SAIC, FAW e Changan, a gigante de Wuhan estreará em nosso mercado ainda este ano, trazendo o urbano elétrico Box (vendido como Nammi 1 em alguns países) e o SUV elétrico Vigo (o Nammi 06).

A companhia também já estuda montar seus modelos no Brasil, possivelmente nas fábricas da Nissan ou da Peugeot-Citroën (hoje Stellantis) - marcas que são suas parceiras na China. Assim, é bem provável que tenhamos modelos compactos da Dongfeng produzidos no Sul Fluminense.

O Dongfeng que mais nos chamou a atenção no Salão de Pequim, porém, nada tem de racional. É o inacreditável M-Hero 917 (ou M-Hero 1), cotado para desembarcar no Brasil em 2027 como importado de alto luxo e desempenho. É comum que o chamam de “Hummer chinês”, mas o modelo vai bem além desse rótulo.

Seu nome em mandarim - Mengshi, ou “Guerreiro” - já dá pistas de seu jeito de ser. Lançado na China em 2023, esse exótico jipão foi o primeiro produto da divisão M-Hero, focada em SUVs eletrificados (sejam EVs puros ou EREVs).

No ano passado, o 917 ganhou uma versão estendida, com nada menos que 5,18 m de comprimento e 3,15 m de entre-eixos. Nas duas medidas, o 917L supera em 20 cm o 917 “normal”. Não bastasse o tamanho, há o estilo único. Feito para concorrer com o Hummer EV e o Yangwang U8, o jipão da M-Hero faz seus rivais parecerem tão discretos quanto um T-Cross prateado.

Obra do centro de design da Dongfeng, comandado por Alexander Knöpfle (ex-VW e Audi) e Yongliang Zhang, as linhas do 917L trazem muitos elementos dos modelos militares do grupo — em especial do blindado tático CSK-181. As dobras do capô, o contorno dos faróis, as molduras dos para-lamas e o formato da grade… está tudo lá, mas estilizado com uma estética futurista de filme de ficção científica.

A frente lembra a máscara de um guerreiro antigo. A carroceria é composta por superfícies planas e vincos extremamente agressivos, que remetem a aviões stealth. Pode-se gostar ou não, mas ninguém nega que é diferente.

Por dentro, há luxo que contrasta com a aparência externa. Para começar, sobra espaço para as pernas de quem viaja no banco traseiro (são 3,15 m de entre-eixos, vale lembrar). No exemplar que vimos em Pequim, o assoalho plano era coberto por um tapete de couro bovino malhado, de pelo natural.

O seletor da transmissão no console central imita as manetes de potência de um jato, acionado com um movimento de empurrar. Os puxadores internos das portas têm o formato de punhos de pistolas, reforçando o visual bélico do 917L. As forrações são de couro e madeira legítimos.

Três telas cobrem quase todo o painel. O quadro de instrumentos, com 12,3”, inclui visão noturna termográfica. No centro, há uma unidade flutuante de 15,6” que controla a multimídia e as funções off-road. Em frente ao banco do carona, outra tela de 12,3”. Há ainda um display de 8” integrado ao apoio de braço central traseiro, permitindo o controle da temperatura e do massageador no encosto. Quem viaja atrás dispõe também de ajuste elétrico dos bancos.

Uma novidade para 2026 é a opção de uma terceira fileira de bancos, elevando a capacidade interna a sete ocupantes. O teto solar duplo garante iluminação natural em uma cabine com linha de cintura alta.

O jipão é montado sobre um parrudíssimo chassi de longarinas. Na versão 100% elétrica, há um motor por roda, com potência combinada de 1.088 cv e torque de 142 kgfm. A bateria de 142,7 kWh é suficiente para uma autonomia de 450 a 500 quilômetros pelo ciclo WLTP.

Com tudo isso, o 917L BEV pesa aproximadamente 3,5 toneladas. Mesmo assim, é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos.

Em se tratando de um fora-de-estrada, a versão EREV faz mais sentido. Nesse caso, são três motores elétricos (um na frente e dois atrás), somando 816 cv. Há um motor 1.5 turbo a gasolina que não traciona as rodas, servindo apenas para recarregar a bateria de 66 kWh. Assim, o alcance combinado supera os 800 km, com o tanque de 84 litros cheio e a bateria carregada.

O peso bruto total fica entre 3.740 kg e 3.920 kg. Ou seja, no Brasil será preciso ter carteira de habilitação categoria C para guiar este M-Hero.

Galeria: Salão de Pequim - Dongfeng M-Hero 917L

Há uma caixa de redução em cada eixo, fazendo o torque total nas rodas atingir impressionantes 1.652 kgfm e permitindo que o veículo suba inclinações de até 100% (45°). O sistema de gestão de tração oferece cinco modos de terreno (neve, lama, areia, rocha e trechos alagados) e dispõe de três bloqueios eletrônicos.

A suspensão é a ar. Com isso, o vão livre do solo varia de 220 mm (modo rodoviário) até 335 mm (modo todo-terreno extremo). Graças à vedação e à altura da suspensão, o Guerreiro atravessa trechos alagados de até 900 mm. Os pneus, curiosamente, são de perfil baixo, para asfalto, destoando das aptidões do modelo.

Um sistema adaptativo lê o terreno em tempo real e ajusta a firmeza de cada amortecedor individualmente, minimizando a inclinação da carroceria. O eixo traseiro esterçante (com até 10,6°) permite andar “de lado”, como um caranguejo, facilitando manobras em trilhas apertadas ou estacionamentos. Isso reduz o raio de giro para apenas 5,1 metros, o que é excepcional para um mamute desses.

Na China, os preços do 917 começam em 637.700 yuan (aproximadamente R$ 470 mil na conversão direta), na versão EREV de entre-eixos normal, e chegam a 820 mil yuan (R$ 600 mil), na versão longa. Com acessórios de expedição, o céu é o limite.

O modelo já é exportado para alguns países da Europa, como Suíça e Espanha, além do Oriente Médio. Na Europa, seu preço parte de aproximadamente 170 mil euros (R$ 1 milhão).

Há ainda um irmão caçula do 917, também cotado para chegar ao Brasil: chama-se M817 (ou M-Hero 2), tem 5,10 m de comprimento e é um PHEV. Em situações de alta demanda ou mesmo em velocidades de cruzeiro, a transmissão DHT de duas marchas permite que o motor 1.5 turbo a gasolina se conecte mecanicamente às rodas. Há um motor elétrico em cada eixo e a potência combinada é de 677 cv. Esse 4x4, ao menos, tem pneus de uso misto: BFGoodrich All-Terrain T/A.

É o primeiro modelo da linha a vir equipado com o sistema de direção inteligente de quarta geração da Huawei, utilizando LiDAR e sensores de alta definição para direção autônoma em cidade e estrada. Seus preços na China começam em 320 mil yuan (cerca de R$ 235 mil).

Rival do Tank 700, o M817 é um sucesso: chegou a 10 mil unidades vendidas em dezembro do ano passado. Já o M-Hero 917 é um modelo de baixíssima produção, com apenas 642 exemplares comercializados na China em 2025.

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Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.

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