Fórmula 1

EXCLUSIVO - Antonelli fala sobre ser "azarão" na briga pelo título da F1, volta por cima e "jogos mentais" de Russell

Das incertezas à liderança, Antonelli conta como mudou abordagem, relação com Russell e a serenidade com que vive a temporada mais importante da carreira

EXCLUSIVO - Antonelli fala sobre ser "azarão" na briga pelo título da F1, volta por cima e "jogos mentais" de Russell

Resumo PreçoCarroBR

  • A notícia entra no radar pelo impacto esportivo sobre equipes, pilotos, estratégia ou campeonato.
  • Em Fórmula 1, o detalhe que decide uma corrida costuma estar no conjunto: ritmo, pneus, boxes, desenvolvimento e leitura do fim de semana.
  • O destaque do momento é: EXCLUSIVO - Antonelli fala sobre ser "azarão" na briga pelo título da F1, volta por cima e "jogos mentais" de Russell

Leitura da pista

A pauta deve ser lida pelo que revela sobre desempenho, pressão interna, estratégia de equipe e evolução técnica. Na F1, uma decisão de muro, uma janela de pit stop ou uma leitura errada de pneus pode mudar a narrativa de todo o GP.

Impacto esportivo

Para o fã, o ponto central é entender como esse movimento afeta disputa por posições, confiança dos pilotos, desenvolvimento do carro e briga no campeonato.

O que aconteceu

Das incertezas de 2025 à liderança de 2026, Antonelli conta como mudou sua abordagem, a relação com Russell e a serenidade com que está vivendo a temporada mais importante de sua carreira

Doze meses depois, parece quase outra vida. Após as seis primeiras etapas da temporada, Andrea Kimi Antonelli não é apenas o líder do Mundial, com uma sequência de cinco vitórias consecutivas. Ele é a capa da Fórmula 1, uma posição conquistada graças a uma série de resultados que surpreenderam até mesmo aqueles que o consideravam um dos talentos mais promissores de sua geração.

Para explicar o presente , Kimi olha para trás. Ele faz isso relembrando o verão de 2025, quando uma sequência de resultados abaixo das expectativas e os rumores sobre seu futuro começaram a abalar certezas que pareciam inabaláveis.

O piloto da Mercedes identifica o fim de semana de Spa-Francorchamps como o ponto mais baixo daquela fase, um momento em que o futuro parecia muito menos claro do que é hoje. É também a partir desse momento que surge a serenidade com que ele está encarando a temporada atual.

Apesar de liderar o  mundial, Antonelli continua a pensar corrida a corrida, sem se deixar distrair pelos primeiros jogos psicológicos entre os candidatos ao título ou por uma pressão que, pelo menos externamente, parece não afetá-lo.

Em conversa com o Motorsport.com, o piloto italiano conta como mudou sua abordagem à F1, a relação cada vez mais próxima construída com os engenheiros da Mercedes e a consciência adquirida após ter superado o momento mais difícil de sua jovem carreira.

Como é a vida como líder do Mundial?
"Em certos aspectos, a vida está mais complicada, mas, ao mesmo tempo, me sinto mais tranquilo, mais em paz comigo mesmo. Estou vivendo um momento maravilhoso, mas tento continuar vivendo minha vida como sempre, me divertindo o máximo possível em tudo o que faço. Depois, é claro, na pista tento colocar muita garra e determinação, estabelecendo metas de curto prazo. Não quero pensar no Mundial ou em conquistas que, no momento, ainda estão distantes”.

Foto de: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images

Muitos pilotos falaram do estresse que acompanha a luta pelas vitórias e pelo título. Observando você de fora, você parece uma exceção.
“Sempre há tensão antes do início de uma qualificação ou de uma corrida, mas são aquelas borboletas no estômago que fazem bem. É importante que seja assim, porque significa que você se importa e está dando tudo de si. No geral, porém, estou muito menos estressado do que no ano passado".

"Hoje sinto que provei algo e que tenho mais controle da situação. Sei que estarei na F1 também na próxima temporada, enquanto no ano passado houve um momento, no fim de semana do GP da Bélgica, em que tudo ao meu redor parecia mais nebuloso”.

Quão importante foi superar um momento difícil como o que você viveu no verão passado?
“Passei por um período complicado, mas ter conseguido superar isso me tornou mais forte mentalmente, como piloto, mas sobretudo como pessoa. Em um determinado momento da temporada, as coisas na pista não estavam indo como eu gostaria e, além disso, começaram a circular rumores sobre uma possível transferência minha para a Alpine ou a Williams, boatos que não eram desmentidos. Em situações como essa, é inevitável que surjam dúvidas, com o risco de entrar em uma espiral negativa”.

Voltemos ao presente. Quando há um fim de semana livre, frequentemente o vemos na pista, em Ímola para o WEC e no Mugello para a MotoGP. Há quem se pergunte se não seria melhor ficar em casa e desligar completamente.
“Bem, meu descanso é exatamente isso. Ficar em casa de vez em quando é bom, mas posso garantir que, para mim, ter a chance de estar presente nesses eventos é tudo menos um estresse. É a minha paixão, é o que gosto de fazer. E acrescento que ir à pista como espectador, viver uma corrida como apaixonado, é justamente uma forma de desconectar".

"Provavelmente não conseguiria isso ficando em casa. Quando tiver essas oportunidades, continuarei aproveitando-as. Obviamente, há momentos em que o descanso se torna prioridade, mas hoje assistir a uma corrida me ajuda a recarregar as energias e a me preparar para o próximo fim de semana".

Foto de: Sam Bloxham / LAT Images via Getty Images

Na Mercedes, o equilíbrio interno também mudou. Russell já começou alguns jogos psicológicos para transferir a pressão para você. Isso te afeta?
“Não é a primeira vez que vemos ‘jogos mentais’. Sempre se tenta transferir a pressão para o adversário do momento, seja ele um rival externo ou o companheiro de equipe, isso pouco importa. Tenho a sorte de que essas coisas não me afetam. Ainda estamos no primeiro terço da temporada e acho definitivamente prematuro começar a falar da disputa pelo título mundial".

"Estou trabalhando corrida após corrida. Claro, no final do fim de semana dou sempre uma olhada na classificação, mas logo em seguida o pensamento já está na próxima corrida. Quando abaixei a viseira e entrei na pista, não penso no campeonato. Corro para dar o melhor de mim. E, como já disse, como ainda não ganhei nada, não tenho nada a perder.”

Quanto Kimi Antonelli evoluiu, tanto tecnicamente quanto no relacionamento com os engenheiros, entre Mônaco 2025 e Mônaco 2026?
“Muito. É preciso tempo para construir e consolidar certos relacionamentos, tanto com o Bono quanto com todos os outros engenheiros. Provavelmente eles também precisaram de um pouco de tempo para me conhecer, e isso é normal. Hoje existe uma relação muito forte".

"Bono entendeu, e continua entendendo cada vez melhor, quais são as minhas necessidades, do que eu preciso e quais são os detalhes importantes para mim. A maneira como ele me faz certas perguntas em momentos críticos também é um aspecto fundamental. Nossa relação continua evoluindo porque aprendemos constantemente um com o outro.”

Entre os especialistas, diz-se que um dos seus pontos fortes é a gestão da bateria. Isso é resultado de um trabalho específico ou uma consequência natural do seu estilo de pilotagem?
“Durante a pausa, trabalhamos muito nesse aspecto, e é uma atividade que continua até hoje. Realizamos um programa intenso no simulador, tanto para desenvolver o monolugar quanto para compreender melhor esta unidade de potência e nos familiarizarmos com a gestão da bateria. Grande parte do que consigo fazer hoje é resultado justamente do trabalho de preparação iniciado no ano passado”.

Andrea Kimi Antonelli, Mercedes, George Russell, Mercedes

Foto de: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images

Na véspera da temporada, pensava-se que o novo regulamento imporia uma espécie de reinício no estilo de pilotagem exigido dos pilotos. Como foi no seu caso?
“Em certos aspectos, tive que me adaptar; acredito que tenha sido assim para todos. Mas, no meu caso, encontrei imediatamente uma boa sintonia com o carro, ao contrário do que aconteceu no ano passado. Sinto-me mais no controle da situação. De vez em quando ainda cometo alguns erros, mas, no geral, estou muito mais eficaz".

Você construiu uma vantagem importante na classificação. As expectativas iniciais foram superadas?
“Eu diria que sim. Se tivessem me proposto esse cenário antes do início do campeonato, eu teria aceitado na hora. É uma boa notícia, mas não muda minha abordagem. Continuo trabalhando para tentar manter esse momento positivo e elevar o nível passo a passo. Se você tem um carro competitivo e precisa maximizar todo o potencial disponível, é inevitável ter que buscar resultados importantes”.

Se você tivesse que disputar o título com o George no final da temporada, acha que estaria em uma posição melhor em termos de pressão?
"O objetivo é tentar vencer o máximo de corridas possível e, consequentemente, o campeonato. Estou ciente de que oportunidades como essa não surgem com frequência, mas, ao mesmo tempo, hoje sou o azarão, e é uma posição que não me desagrada. George, na véspera da temporada, era apontado por todos como o grande favorito e acredito que fosse uma previsão justificada. Ele tem todo o pacote necessário, incluindo a experiência, para disputar o título”.

Andrea Kimi Antonelli, Mercedes, Lewis Hamilton, Ferrari

Foto de: Mark Thompson / Getty Images

E como está Kimi Antonelli?
“Acho que ainda posso melhorar em muitos aspectos. É inegável que essas vitórias me deram muita confiança, mas, ao mesmo tempo, sei que preciso continuar trabalhando duro para explorar todo o meu potencial. E é exatamente isso que me motiva.”

Talvez seja justamente o fato de não saber até onde seu crescimento pode chegar que preocupa Russell...
“Não acho que muitos esperassem um início de temporada como este, considerando que esta é apenas minha segunda temporada na Fórmula 1. É possível que isso, somado à minha pouca idade, leve alguém a imaginar margens adicionais de crescimento. Talvez seja também por isso que George me considera um adversário a ser observado com especial atenção na disputa pelo Campeonato Mundial”.

Qual foi o elogio que mais te agradou receber nestes meses?
“A dedicatória de Jannik Sinner após minha primeira vitória. Mas recebi muitas mensagens lindas. Penso em Valentino Rossi, Marco Bezzecchi e Pecco Bagnaia. Com o Bez e o Pecco, a gente se fala com frequência. Foi especial porque eu também sou fã deles. Acredito que esse apoio mútuo entre esportistas italianos pode ser uma vantagem a mais. Ver tantos atletas italianos alcançando grandes resultados dá uma motivação extra, te incentiva a dar ainda mais de si e transmite muita energia positiva de vista do próximo desafio”.

KIMI já é GRANDE? Russell em mais um FIASCO, Hamilton FREIA Leclerc, BORTOLETO e + | FELIPE MOTTA

Ouça versão áudio do PODCAST MOTORSPORT:

Your browser does not support the audio element.

ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:

Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!

What would you like to see on Motorsport.com?

F1: Alonso pode retornar à Alpine antes de aposentadoria; entenda

F1: Hamilton destaca evolução da Ferrari e quer ver Scuderia bater a Mercedes 'por mérito próprio'

F1: Leclerc usará mesma marca de freios que Hamilton em Barcelona

F1: Antonelli detalha apoio de Hamilton e Verstappen, mas lembra: "Ainda somos rivais"

F1: Russell está se tornando um "número 2 claro" na Mercedes, diz Schumacher

F1: Antonelli bate recorde ao conquistar Grand Chelem em Mônaco; entenda

F1: Mercedes consulta advogados sobre situação de Russell após cancelamento da punição de Gasly em Mônaco

F1: Russell nega pressão pelo título e admite que "batalha agora é consigo mesmo"

F1: Como Verstappen, Mercedes e Piastri atuam no mercado de pilotos para 2027

F1: Leclerc fica "sem desculpas" e "envergonhado" após batida no quali em Barcelona

F1: Russell é pole, seguido por Hamilton e Antonelli; confira grid de largada do GP de Barcelona

Russell faz a pole em Barcelona e Hamilton completa primeira fila; Participe do debate AO VIVO no Q4

F1: Russell dá resposta, crava Antonelli e é pole em Barcelona; Bortoleto larga de 12º

Inscreva-se e acesse Motorsport.com com seu ad-blocker.

Fonte

Esta publicação considera a matéria original indicada abaixo.

Motorsport Brasil - Fórmula 1
Leia também

Relacionadas