Proposta da Federação aumentaria a fatia de potência do motor de combustão interna ante o elétrico, na proporção de 60-40%
A FIA e a Fórmula 1 buscam introduzir uma mudança no regulamento para a temporada 2027 que visa mudar a distribuição de potência entre o motor de combustão interna e o lado elétrico, de cerca de 50-50 para 60-40 a favor da combustão. Porém, o processo deve ser mais duro do que o previsto, com algumas montadoras se posicionando contra a proposta.
Uma das grandes mudanças propostas pelo regulamento de 2026 foi o aumento da importância da potência elétrica, com a nova unidade dando proporções iguais à combustão interna. Porém, os problemas surgidos nas primeiras etapas do ano levaram F1 e FIA a agirem, com uma proposta de distribuição 60-40 para 2027.
Porém, essa proposta está sob risco. Já se discutia a possibilidade de a Ferrari recorrer ao seu "direito de veto", o qual pode bloquear qualquer mudança no regulamento. Porém, a marca italiana não está sozinha nesse enfrentamento. Honda e Audi também se colocam contra essa mudança de 50-50 para 60-40 a favor da combustão interna.
Já a Cadillac, que ainda usa motores Ferrari mas que já tem direito a voto graças a seu intento anunciado para 2029 de produzir unidades próprias, resolveu se abster desta discussão.
Incrivelmente, tudo indica que a Mercedes é a única a defender a mudança, com o paddock suspeitando que a Red Bull - Ford Powertrains também tenha mudado de lado, se posicionando negativamente à proposta.
Por que a Ferrari, que inicialmente havia apoiado a mudança, decidiu mudar de posicionamento? As motivações são diversas e vale a pena aprofundá-las. Não basta aumentar a capacidade do tanque de combustível para obter um motor endotérmico com 70 cavalos a mais.
Alguém levantou a questão da capacidade dos tanques para cobrir a distância prevista de 305 km; outros chegaram a sugerir uma redução da distância dos GPs. Mas, independentemente dessas considerações, não só o motor turbo de 6 cilindros precisaria ser revisado para garantir a confiabilidade ao longo de sua vida útil, como também a própria transmissão deveria ser redesenhada para suportar as novas cargas.
É evidente que o tempo disponível para implementar todas as modificações necessárias não seria suficiente para ter novos motores para o início da temporada de 2027. A tudo isso acrescentamos um segundo aspecto de natureza financeira: como seria possível permanecer dentro dos limites do ADUO com modificações que impactariam fortemente na programação das equipes.
Evidentemente, quando se pensou em enviar um sinal forte ao público da F1 de que era possível mexer no regulamento técnico sem revolucionar os equilíbrios que ainda estão sendo construídos, houve quem tenha se enganado.
A Honda é contra a mudança na distribuição de potência na PU de 2027
De forma mais sutil, deve-se destacar outro elemento importante, assim como os outros já descritos. A Ferrari e a Honda, após as últimas avaliações feitas também no GP do Canadá, aguardarão as decisões da FIA sobre a concessão do ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities): teoricamente, o motor da marca italiana poderá recorrer a uma atualização que deveria permitir uma redução da diferença de potência em relação ao Mercedes a partir da segunda quinzena de julho.
A dúvida é que, caso a FIA decida conceder a todos a possibilidade de refazer os motores para a alteração da distribuição de potência, isso significaria que justamente a Mercedes teria a oportunidade de restaurar sua liderança absoluta, tornando vã a eficácia do ADUO.
A Ferrari, portanto, optou por adotar uma linha muito clara que, evidentemente, nesta fase é compartilhada com outros construtores. É também a prova de que, em Maranello, o projeto do motor de Enrico Gualtieri não é considerado errado.
Diante deste cenário, a FIA, a F1 e as equipes irão se reunir mais uma vez, durante este fim de semana de GP do Canadá, para discutir as mudanças nas unidades de potência pensadas para o próximo ano.
Dudu BARRICHELLO analisa VERSTAPPEN no endurance, F1 pré-Canadá, BORTOLETO, HAMILTON e mais
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