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Logan, o vencedor moral das 24 Horas de Nürburgring de 2026

Contra todas as expectativas, sedã romeno teve seu dia de Herbie nas pistas, correndo até com Verstappen

Logan, o vencedor moral das 24 Horas de Nürburgring de 2026

Velho Dacia enfrentou supercarros e virou um campeão de popularidade

Parece até coisa de Herbie, o Fusquinha que ganhava corridas nos filmes da Disney. Nosso personagem, porém, é do mundo real: um modestíssimo Logan de primeira geração (2004–2012) que, neste fim de semana, sagrou-se o vencedor moral das 24 Horas de Nürburgring.

Boa parte da atenção estava voltada para a estreia do tetracampeão de F1 Max Verstappen como dono de equipe, pilotando um Mercedes-AMG GT3 Evo. Quem acabou roubando a cena no fim de semana, porém, foi um humilde Dacia Logan preparado pela pequena escuderia Ollis Garage Racing, de Münster, na Alemanha.

Galeria: O dia que um Dacia Logan correu nas 24h de Nürburgring

Em meio a um grid com 159 inscritos, recheado de GT3 oficiais da Porsche, Mercedes-AMG, BMW e Lamborghini, o sedã romeno conquistou muitos fãs ao enfrentar o desafiador circuito de Nordschleife com uma receita muito distante dos carros de fábrica.

Para correr em Nürburgring, o Logan recebeu um motor 2.0 turbo de 280 cv transplantado de um Renault Mégane RS. Inscrito na categoria SP3T (para carros turbo de até 2 litros), teve como rivais diretos três Golf GTI, um Audi TT RS, um Audi RS3 LMS e um Cupra León.

Desde 2021, a equipe Ollis Garage Racing, comandada pelo casal Sabine Kriese e Oliver Kriese, vem inscrevendo seus Logan nas 24 Horas de Nürburgring. Na edição de 2023, porém, um choque com um Porsche GT3 destruiu completamente o sedã. Os pilotos não se feriram, mas parecia o fim das aventuras no Inferno Verde.

Com a ajuda dos fãs, porém, o time de Münster conseguiu comprar outro Logan e reconstruir o projeto praticamente do zero.

Mesmo com potência muito inferior à dos GT3 de mais de 500 cv, o pequeno Dacia pilotado pelos alemães Oliver Kriese, Robert Neumann, Alexander Becker e Christian Geilfus conseguiu resultados surpreendentes na edição de 2026.

Equipado com câmbio sequencial de seis marchas, o carro registrou 11min03s438 na classificação, superando até um Audi RS3 LMS. Durante a corrida, chegou a atingir 178 km/h no retão de Döttinger Höhe, com seus 2,1 km de extensão.

O desempenho naturalmente estava longe dos líderes — a melhor volta absoluta da prova foi um impressionante 8min08s758 de um Lamborghini Huracán GT3 EVO2 — mas o Logan ainda conseguiu virar em 10min22s613, marca suficiente para deixar para trás diversos carros de turismo com preparação forte.

O que realmente transformou o Dacia em fenômeno de internet foi seu caráter improvável. Em uma corrida marcada pela presença de Verstappen e de grandes equipes oficiais, o sedã virou mascote do público, acumulando vídeos virais e memes nas redes sociais. Um dos momentos mais comentados aconteceu quando o Logan manteve-se na pista em um trecho com óleo enquanto vários GT3 foram parar na área de escape.

A prova esteve longe de ser um passeio para o pequeno Dacia. O time alemão enfrentou problemas mecânicos durante todo o fim de semana, incluindo falhas constantes de ignição acima de 4.500 rpm. A solução improvisada foi trocar repetidamente um sensor CMP (sensor de fase do comando de válvulas) a cada parada nos boxes.

Além disso, houve diversos incidentes na pista. Antes mesmo da largada, a equipe recebeu punição de cinco posições no grid após fazer um retorno irregular no traçado. Já durante a corrida, o excesso de velocidade em uma zona de Code 60 rendeu uma punição stop-and-go de 74 segundos.

O drama maior aconteceu nas horas finais da disputa. Restando pouco mais de três horas para a bandeirada, o Logan perdeu a roda dianteira esquerda e acertou as barreiras. O resgate virou motivo de discussão entre a equipe e os fiscais, já que os mecânicos temiam danos estruturais adicionais durante o reboque. O carro foi arrastado de volta aos boxes praticamente apoiado no disco de freio.

Enquanto equipes de fábrica normalmente abandonariam a disputa diante de um dano semelhante — como aconteceu com o Mercedes-AMG GT3 da equipe de Verstappen, retirado da corrida após a quebra de um semieixo — a Ollis Garage Racing decidiu insistir. Os mecânicos passaram um bom tempo cortando partes danificadas da carroceria e reconstruindo a suspensão dianteira esquerda para devolver o carro à pista antes do limite regulamentar de desclassificação.

Contra todas as expectativas, conseguiram. O Logan voltou para a pista, completou 92 voltas e cruzou a linha de chegada dentro do tempo exigido pelo regulamento, garantindo a 107ª colocação geral entre os 159 carros inscritos e o sexto lugar na classe SP3T.

No fim das contas, o abandono de Verstappen rendeu as manchetes mais óbvias do evento. O vencedor geral foi outro Mercedes-AMG GT3: o carro de número 80, da equipe Ravenol/Winward Racing, com apoio de fábrica e pilotado por Maro Engel, Luca Stolz, Fabian Schiller e Maxime Martin.

Mas foi o velho Logan preparado por uma equipe independente que recebeu mais aplausos ao fim da prova e viralizou na internet, simbolizando o verdadeiro espírito das 24 Horas de Nürburgring.

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Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.

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