Sistema híbrido, suspensão por eixo rígido e freios a tambor; confira o que a marca já deixou escapar da picape
A Volkswagen usou a prévia do anúncio da escalação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 como palco para exibir a nova Tukan. Será uma picape intermediária que deve de uma só vez substituir a Saveiro na briga com a Fiat Strada e posicionar a montadora alemã de frente com a Fiat Toro no segmento de picapes intermediárias.
O que poderia ser a revelação visual da VW Tukan em sua carroceria final de produção acabou sendo apenas uma apresentação de pequenos, mas importantes detalhes sobre a nova picape. Reunimos aqui todos os detalhes — confirmados ou não — que já se sabe sobre a futura caminhonete, que deve ser revelada por completo ainda em 2026, mas será vendida a partir de 2027.
Galeria: VW Tukan aparece em evento da CBF no Rio de Janeiro
Tukan será híbrida (leve) em algumas versões
Segundo Ciro Possobom, CEO e presidente da Volkswagen do Brasil, a Tukan ''marcará o início de uma nova era" para a montadora no País. "Nosso primeiro modelo eletrificado, 100% desenvolvido e produzido aqui, já nasce com 76% de peças nacionais, fortalecendo a indústria nacional e gerando riqueza em toda a cadeia". A picape será produzida sobre a já conhecida arquitetura MQB da VW.
Isso porque a Volkswagen Tukan será produzida em São José dos Pinhais (PR) e estreará um novo conjunto MHEV de 48V, tal como no Jeep Renegade. Com motor 1.5 turbo, o sistema híbrido-leve equipará ao menos as versões mais caras. Este 1.5 é uma evolução do atual 1.4 TFSI encontrado no Taos, com quatro cilindros, turbo e injeção direta, além de poder nascer já flex. Não são esperados ganhos de potência e torque, uma vez que o sistema MHEV está mais voltado à eficiência energética, redução de emissões e redução do consumo.
1.0 turbo contra a Toro, 1.6 na base contra a Strada
Até o momento, trabalha-se com a possibilidade de que a Tukan vire em algum momento a substituta da atual Volkswagen Saveiro. A picape menor já é veteraníssima no mercado é a última ainda produzida sobre a plataforma do finado Gol. Com isso, o 1.5 turbo híbrido não deve ser a única opção.
A Volkswagen Tukan também deverá contar com versões mais simples. Sendo assim, o atual 1.0 170 TSI do Tera com câmbio automático de 6 marchas surge como uma opção para as configurações intermediárias e, com até 116 cv e 16,8 kgfm de torque, pegaria desde opções mais caras da Fiat Strada e até mesmo beliscaria alguns compradores de Chevrolet Montana e versões mais baratas da Fiat Toro.
A terceira opção seria a manutenção do atual 1.6 16V — o MSI, tão veterano quanto a própria Saveiro — com câmbio manual para as versões básicas e voltadas ao trabalho, aí sim substituindo de vez a picape compacto para as aplicações empresariais e de produtores rurais. Nesse caso, nem uma carroceria de cabine simples está completamente fora do baralho.
VW Tukan aparece em evento da CBF no Rio de Janeiro
Uma das crenças que sustenta a liderança da Fiat Strada, não só na categoria como nas vendas gerais, é o uso de suspensão traseira com eixo rígido e feixe de molas. O sistema é arcaico, mas é resistente a mau uso e sobrecarga, além de mais robusto para vias ruins. A Saveiro atual tem eixo traseiro por torção e molas helicoidais, como no Gol. É melhor para a dirigibilidade, mas o mercado prefere o sistema da Strada.
A Volkswagen já notou isso. A nova Tukan não será a primeira picape com eixo traseiro rígido e feixe de molas, já que a Amarok usa esse sistema há anos, mas será o primeiro produto da plataforma MQB a ter esta solução.
Outra solução mais simples que a VW adotará na Tukan são os freios a tambor no eixo traseiro, ao contrário de outros modelos dessa plataforma que possuem freios a disco nas quatro rodas.
Ainda que a nova VW Tukan tenha que atuar bem na base do segmento de picapes, algumas configurações serão melhor servidas de tecnologia. Especialmente nas equipadas com o novo motor 1.5 turbo híbrido leve, espera-se que a marca equipe a novidade com pacote ADAS.
A unidade da Volkswagen Tukan exibida na prévia da convocação da Seleção para a Copa do Mundo 2026 estava equipada com câmeras e radares indicando a presença de algum nível de pacote ADAS, sistemas de auxílio à condução. Minimamente um alerta de colisão frontal com frenagem autônoma de emergência devem marcar presença, enquanto o controle de cruzeiro adaptativo (ACC) também é possível.
Até agora, a expectativa é de que a Volkswagen ao menos mostre a nova Tukan em sua carroceria final de produção ainda em 2026. A Copa do Mundo e o patrocínio da marca à Seleção Brasileira são ótimos ganchos para fazer a revelação durante a competição.
Porém, os detalhes oficiais, assim como as especificações técnicas, motorização, equipamentos e versões devem ser revelados apenas em data mais próxima ao início da comercialização da VW Tukan, o que deve acontecer apenas em 2027.
Volkswagen Tukan - fotos oficiais do carro camuflado
A visão do Motor1.com Brasil: A Volkswagen está mais do que atrasada para a festa das picapes intermediárias e ficou por pouco de transformar a Saveiro numa "nova Kombi", dando à picape uma sobrevida quase infinita. A Tukan tem diversas missões a cumprir.
Ela tem que convencer quem compra Fiat Strada de que a VW tem uma opção vantajosa. Daí aparecem o eixo rígido, o feixe de mola e o freio a tambor. Só que, ao mesmo tempo, tem que convencer o público de Fiat Toro e Chevrolet Montana que a Tukan tem refinamento e tecnologia embarcada o suficiente para levar o comprador para a Volkswagen. Aí entrará a opção 1.5 turbo híbrida como alternativa mais moderna.
Com uma rede grande no País e um produto que vem de uma boa base, a Volkswagen viu o que o mercado realmente queria e aplicou à Tukan. A dúvida é se a solução de ter um produto único para atacar duas categorias simultaneamente vai se pagar.
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Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.
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