A Stellantis enfrenta um problema de imagem e, sobretudo, de saúde entre funcionários após o retorno ao trabalho presencial em tempo integral em sua sede de Auburn Hills, Michigan. Relatos internos mencionam sintomas que vão de sangramentos nasais e enxaquecas a vômitos, alterações na pele, problemas digestivos, tosse e fadiga — um conjunto de queixas que tem preocupado equipes e gestores.
Trabalhadores também descrevem condições ambientais adversas dentro do prédio: presença de poeira preta, infiltrações e episódios de alagamento, cheiro de mofo e até avistamentos de camundongos e ratos. Acionada para avaliar a situação, a agência estadual responsável pela segurança e saúde no trabalho inspecionou o complexo e emitiu recomendações voltadas à qualidade do ar e ao controle de mofo, sem, contudo, aplicar autuações ao grupo.
A montadora afirma que zela pelo bem‑estar de seus colaboradores e que realiza avaliações regulares dos ambientes de trabalho. Em comunicado oficial, a empresa ressaltou ter promovido melhorias de limpeza, manutenção preventiva e intervenções nos sistemas de filtragem de ar, além de testes de qualidade do ar e análises para identificar eventuais fungos.
Importante pano de fundo: a mudança na política de trabalho. Após um período com forte flexibilidade para home office, a companhia passou a exigir ao menos três dias no escritório e, em janeiro, anunciou que o regime de cinco dias por semana seria implementado — medida que entrou em vigor em 30 de março. Fontes internas relatam que as queixas começaram já com o retorno gradual e se intensificaram após a adoção do expediente completo.
Em denúncia encaminhada ao órgão estadual, funcionários alegaram que algumas pessoas foram obrigadas a permanecer no prédio mesmo apresentando laudos médicos e indícios de contaminação por mofo. Na inspeção de fevereiro, foram encontradas contagens de esporos de fungos ligeiramente superiores às amostras externas, mas os resultados foram, em linhas gerais, considerados aceitáveis para ambientes internos; a montadora chegou a apontar que plantas ornamentais internas poderiam influenciar essas taxas.
A vistoria cobriu diversas áreas da torre de 15 andares e não apontou vazamentos ou sinais consistentes de umidade contínua que justificassem proliferação generalizada de mofo. O órgão estadual também observou a ausência de um padrão formal ou de limites publicados para exposição segura a esporos de fungos no ambiente de trabalho; a investigação foi encerrada no início deste mês.
No mesmo compêndio de notícias internacionais, a NHTSA decidiu arquivar o inquérito sobre mais de 120 mil unidades do Tesla Model Y de 2023, após concluir que os casos detectados não indicavam um problema sistêmico. A apuração havia sido motivada por duas ocorrências de volantes destacando‑se da coluna por falta de um parafuso de retenção; ambos os veículos em questão teriam sido produzidos na primeira semana de janeiro de 2023, em fábricas de Austin e Fremont, e foram tratados como eventos isolados.
Ainda no panorama global, a indústria acumula desafios variados: a General Motors atravessou um trimestre inicial que não foi dos melhores, e a história da Bollinger parece estar chegando ao fim. Em meio a esses episódios, fica claro que as montadoras lidam hoje com riscos que vão muito além da linha de produção — envolvendo saúde ocupacional, qualidade industrial e confiança dos colaboradores.