A Honda decidiu capturar em alta definição os bramidos que marcaram sua história nas pistas — um convite sonoro para entusiastas que não vão até o Japão. As gravações reúnem notas de motores que, em diferentes épocas, definiram a busca da marca por desempenho e emoção.
No coração dessa memória está o Collection Hall, no circuito Twin Ring Motegi, onde motos e carros de corrida são preservados com zelo. A coleção não é apenas para ser vista: muitos exemplares são colocados para funcionar no pátio, permitindo que visitantes sintam a máquina viva — algo raro em museus automotivos.
Como alternativa à viagem até Motegi — que, convenhamos, exige passagem transatlântica — a Honda vem divulgando uma série de vídeos com essas máquinas tocando o limite de rotações. É a chance de ouvir de perto a personalidade de motores que escreveram capítulos importantes do automobilismo japonês.
Um exemplo histórico é o RA272 de 1965, equipado com V12 que sobe para o vermelho de forma quase operística. O carro, ícone dos primeiros passos da Honda na Fórmula 1, ostenta tacômetro cronometrado marcando a casa dos 10.000 rpm — e seu som lembra a ambição de superar rivais no coração da potência.
A vitória inaugural da marca na F1 aconteceu em outubro de 1965, no México, com Richie Ginther ao volante. Em uma celebração moderna, o mesmo monoposto fez uma volta de demonstração no Autódromo Hermanos Rodríguez conduzido por Yuki Tsunoda, reforçando o elo entre passado e presente.
A coleção também traz o rugido das duas rodas: a NSR500 de 1985, com seu V4 dois-tempos, acumula mais de 100 vitórias e 10 títulos mundiais nas 500cc. Ouvir esse propulsor é experimentar explosões e entradas de faixa que definiram uma era das pistas.
Do motor V6 do NSX-GT 2000 — com respostas afiadas e partida que mistura pressurização e intenção imediata — ao controverso HSV-010 GT, com V8 3,4 litros e limite de 10.300 rpm, as gravações mostram que, embora os modelos de rua modernos — como o novo Prelude híbrido — sejam mais discretos, a herança ruidosa da Honda segue viva. Se não puder ir a Motegi, esses registros sonoros são o próximo melhor assento para sentir o motor cantar.