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Subaru construiu o BRZ turbo e AWD dos seus sonhos

A montadora japonesa voltou a surpreender: construiu um BRZ com tração integral e turbo, claramente inspirado no lendário 22B — a diferença é que este exemplar não será colocado à venda. Trata-se de um projeto de competição pensado para as especificidades do rali, uma peça única destinada às pistas e capaz de reacender debates entre puristas e entusiastas.

Quem for ao próximo estágio do All-Japan Rally Championship, em Nara Prefecture, verá o carro em ação. O modelo chega às especiais com visual e preparação típicos de um cupê de rali: as linhas do BRZ foram mantidas, mas radicalizadas por para-lamas alargados e um conjunto de suspensão elevada que o transforma completamente.

Os elementos de carroceria reforçam a proposta: capô com entradas de ar, tomada no teto e um imponente aerofólio traseiro que domina a traseira. Em uma prova noturna, a transformação poderia ficar ainda mais dramática com a adoção de grandes faróis auxiliares, recurso clássico nas etapas noturnas de rali.

No aspecto mecânico, a base é o motor boxer 2.4 litros já conhecido do BRZ, agora com sobrealimentação por turbocompressor. A potência pula dos 228 para os 276 cavalos, cifra que coincide exatamente com a do 22B, e o torque sobe para 368 pound-feet — ganho que promete transformar a personalidade de condução do cupê em um verdadeiro foguete nas saídas de curva e em retas curtas.

Por outro lado, a ideia de simplesmente transplantar um turbocompressor de modelos maiores para um cupê de rua esbarra em dois grandes obstáculos: custo e massa. Um carro de rali aceita ciclos intensos de utilização e intervenções frequentes da equipe técnica; já um produto de linha precisa de durabilidade, custo compatível e comportamento diário que não inviabilize a compra — fatores que pesam contra uma versão turbo de produção em série a preço competitivo.

O projeto recebeu a designação Boxer Rally Spec.Z e foi desenvolvido segundo as mesmas especificações do WRX S4 que a marca utiliza em competição. Em testes de engenharia, o sedã mostrou dificuldade para atingir o limite de peso mínimo de 2.866 libras exigido, enquanto o BRZ permite ficar abaixo desse patamar com mais facilidade, possibilitando o uso estratégico de lastro para otimizar equilíbrio e dirigibilidade.

No fim, a iniciativa funciona tanto como demonstração das capacidades da divisão de competição quanto como combustível para a comunidade: revive a discussão sobre se o BRZ deveria sair de fábrica com turbo e lembra que, se os engenheiros do time de rali conseguem realizar a transformação, entusiastas e preparadores independentes também têm caminho aberto para perseguir essa ideia. Para quem sonha com um BRZ turbo AWD inspirado no 22B, a alternativa pode passar pela oficina — já que a concessionária, por ora, não será opção.