Resumo PreçoCarroBR
- O lançamento entra no radar por indicar direção de produto, posicionamento de marca e possíveis rivais no mercado.
- A leitura principal está em preço, tecnologia, versão, público-alvo e chance de chegada ao Brasil.
- O destaque do momento é: AC Cobra ganha versão fechada com V8 de 720 cv e visual de Le Mans
O que muda para o consumidor
A novidade pode influenciar comparações, expectativa de preço, escolha de versão e movimentação de concorrentes. Para quem está pesquisando carro, vale observar equipamentos, motorização, garantia, custo de uso e disponibilidade.
Impacto no mercado
Quando uma marca mexe em produto ou posicionamento, a resposta dos rivais costuma aparecer em preço, pacote de equipamentos ou novas versões.
O que aconteceu
GT Coupé celebra os 125 anos da mais antiga fabricante britânica em atividade
A AC Cars, que se apresenta como “a mais antiga fabricante britânica ainda em atividade”, acaba de lançar mais um derivado de seu lendário Cobra. Não chega a ser uma grande surpresa: para a maioria dos entusiastas, a marca inglesa se resume ao esportivo eternizado pela parceria com Carroll Shelby nos anos 1960.
A história da AC, contudo, começou décadas antes disso. Suas origens remontam a 1901, quando os irmãos John e Charles Weller fundaram em Londres sua primeira oficina de conserto de automóveis e motocicletas. Com a ajuda de um investidor (e açougueiro), eles logo partiram para a produção de seu próprio modelo: o Auto-Carrier (daí a sigla). Era como um daqueles clássicos triciclos de lavanderia, com um grande baú na frente, só que tinha um motor, em vez de ser movido apenas a pedal.
Galeria: AC Cobra ganha versão fechada com V8 de 720 cv e visual de Le Mans
Em 1913, veio o primeiro carro, um pequeno roadster. Ao longo das décadas seguintes, a companhia direcionou sua atenção aos esportivos. John Weller desenhou um motor seis-em-linha de 2 litros com comando no cabeçote, fluxo cruzado, bloco de alumínio e outros bichos. Era tão moderno que permaneceu em produção de 1919 a 1963!
A produção sempre foi tímida. O grande ponto de virada veio em 1953, com o lançamento do AC Ace, um elegante roadster de construção leve que chamou a atenção do piloto e empresário norte-americano Carroll Shelby.
Em 1961, ele teve a ideia de instalar um motor Ford V8 no esportivo britânico, criando o AC Cobra. A combinação entre chassi leve inglês e potência ianque deu origem a um dos carros esportivos mais famosos de todos os tempos.
Vieram vitórias em provas como as 12 Horas de Sebring (1963), onde os Cobra derrotaram Ferrari e Corvette em solo americano. Com a introdução do motor Big-Block 427 de sete litros e um chassi totalmente novo, em 1965, tornou-se o carro a ser batido nas pistas dos EUA em provas de curta e média duração.
A parceria de Shelby com a AC terminou em 1967, bem como a produção dos Cobra originais — que ficou em torno de mil exemplares. Até hoje, porém, aquela silhueta com santantônio cromado, grossos escapamentos laterais e para-lamas absurdamente alargados para abrigar pneus de corrida é uma das mais copiadas em réplicas de fibra de vidro por todo o mundo (no Brasil, a primeira foi o Glaspac Cobra, com motor Ford V8 302).
Depois do fim do Cobra original, a AC Cars enfrentou décadas difíceis, com mudanças de proprietários, falências e sucessivos renascimentos. Desde os anos 1980, porém, a marca passou a explorar seu patrimônio histórico por meio de recriações, séries especiais e interpretações modernas de seu mais famoso modelo.
Em 1996, a AC Cars foi comprada por um sul-africano chamado Alan Lubinsky, que hoje tem o suíço David Conza como sócio. Apesar de a sede da empresa continuar na Inglaterra (mais precisamente no circuito de Donington Park), a produção foi terceirizada por muito tempo, com chassi feitos na África do Sul e montagem na Alemanha. Hoje, segundo o site da marca, a empresa tem instalações na costa sul da Inglaterra — só não diz onde, exatamente.
A novidade da vez é o lançamento do AC Cobra GT Coupé, uma forma de comemorar os 125 anos da fundação da oficina dos irmãos Weller.
Seu desenho é baseado no do clássico roadster da marca, mas agora há um teto fixo. O resultado é uma carroceria que mescla as formas dos Cobra com hardtop de alumínio (que correram nas 24 Horas de Le Mans em 1963) e o perfil do AC Cobra A98, cupê que disputou a edição do ano seguinte. O A98, vale dizer, chegou a ser cronometrado numa estrada britânica a 298 km/h.
O novo GT Coupé tem o mesmo chassi tubular de alumínio do atual Cobra GT Roadster, extremamente leve, mas com grande rigidez torcional. A carroceria é de fibra de carbono. Uma novidade é a traseira cortada de forma abrupta, terminando em um rabo de pato. Trata-se de uma forma de reduzir o arrasto e aumentar a eficiência aerodinâmica, como bem ensinou o doutor Wunibald Kamm (daí o nome Kamm-tail).
Com isso, o cupê é até um pouquinho mais curto que o roadster (4,20 m contra 4,22 m). Em compensação, o peso é maior: são 1.550 kg, 100 kg a mais que a versão aberta. A distribuição de massas é de 50:50 entre os dois eixos.
A cabine foi projetada para acomodar confortavelmente ocupantes com mais de 1,85 metro de altura. O acabamento oferece couro de ótima qualidade e diversas opções de personalização, já que se trata de um carro feito artesanalmente.
O interior tem estilo inspirado nos modelos históricos da marca, combinando instrumentos analógicos e recursos digitais. Entre os equipamentos estão vidros elétricos, ar-condicionado automático e tela multimídia com GPS.
O destaque é o motor Ford V8 DOHC “Coyote” de 5 litros, disponível tanto em versão aspirada quanto com compressor mecânico. Na configuração básica, são 439 cv e 56,7 kgfm de torque, enquanto a versão mais potente rende 720 cv e 83,6 kgfm. Ambos podem ser combinados com um câmbio manual Tremec de seis marchas ou uma caixa automática de dez velocidades.
De série, o GT Coupé vem equipado com diferencial autoblocante de discos de fricção, enquanto um diferencial autoblocante do tipo Torsen será oferecido como opcional. Segundo o fabricante, o 0 a 100 km/h da versão de 720 cv é feito em cerca de 3,5 segundos e a máxima é de 320 km/h.
O modelo com o V8 sobrealimentado utiliza pinças de seis pistões e discos híbridos de aço de 394 mm na dianteira, além de pinças de quatro pistões e discos de 378 mm na traseira. Já a versão aspirada tem pinças dianteiras de seis pistões e discos de 380 mm, enquanto na traseira há pinças de pistão único e discos de 330 mm.
Não há servofreio... Segundo o fabricante, é para proporcionar maior sensibilidade e comunicação entre carro e motorista. Um barato é a pedaleira pivotada no chão, com as superfícies de contato usinadas com o logotipo “AC”.
As rodas forjadas e usinadas são exclusivas, com acabamento que imita uma porca central, embora utilizem cubos convencionais de cinco parafusos. Ambas as versões usam pneus Michelin Pilot Sport 4 nas medidas 275/35 R21 (dianteira) e 325/30 R21 (traseira). Como opcional, há os semi-slick Pilot Sport Cup 2, nas mesmas medidas, porém voltados para uso mais intenso em pista.
Entre os modos Street, Track e Race, cada configuração aumenta progressivamente a resposta do acelerador, o peso da direção (que tem assistência elétrica) e o ronco do escapamento, ao mesmo tempo em que reduz a intervenção dos sistemas de controle de estabilidade e do ABS. Nos carros equipados com o câmbio automático, os modos de condução também alteram os pontos de troca de marcha.
Há ainda um modo Wet, que reduz a potência disponível e limita a patinagem das rodas para aumentar a segurança no molhado.
A AC Cars pretende ampliar sua produção de cerca de 100 para 1.000 carros por ano graças a uma nova unidade industrial. O plano é oferecer três modelos: o cupê, o roadster e o clássico AC Ace (produzido originalmente entre 1953 e 1963).
Na Inglaterra, o AC Cobra GT Coupé com motor aspirado parte de £ 234 mil (R$ 1,6 milhão na conversão direta), enquanto os equipados com compressor mecânico têm preços a partir de £ 256.300 (R$ 1,75 milhão).
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