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BAIC no Brasil: planos ganham força no Salão de Pequim 2026

Com uma comitiva de 70 brasileiros, a BAIC detalhou sua ofensiva para o Brasil. Conheça os SUVs híbridos e elétricos com tecnologia de ponta.

BAIC no Brasil: planos ganham força no Salão de Pequim 2026

Delegação de concessionários foi à China conhecer a marca de perto

A ofensiva da BAIC no Salão de Pequim 2026 teve o Brasil como um de seus principais focos. Nos dois dias que antecederam a abertura do evento, uma delegação brasileira — formada por 70 representantes de 30 redes de concessionárias — conheceu de perto a operação da estatal chinesa e avançou nas negociações para a entrada das marcas do grupo em nosso mercado.

A comitiva percorreu áreas de exposição histórica e tecnológica, teve contato direto com os modelos da BAIC e acompanhou a produção em uma fábrica de utilitários, incluindo demonstrações todo-terreno e testes práticos.

“Por meio de seus produtos híbridos off-road de ponta, além de tecnologias elétricas e sistemas inteligentes, a BAIC International levará aos consumidores brasileiros uma nova experiência de mobilidade”, adianta o comunicado da empresa, indicando que o projeto já avançou bem além da fase de estudos.

Durante o salão, executivos reforçaram a intenção de iniciar as operações no Brasil ainda este ano. O Beijing Automotive Group Co. — anteriormente Beijing Automotive Industry Corporation, daí a sigla — é um dos maiores grupos automotivos da China, com marcas como Beijing (do táxi-padrão de Pequim), BAIC ORV (divisão 4x4), Arcfox (carros elétricos premium), Stelato (ultraluxo) e Foton (picapes e caminhões).

Historicamente associada a modelos robustos e de uso severo, a BAIC mostrou no Auto China 2026 que pretende ampliar seu alcance. 

O destaque na mostra foi a pré-apresentação do Beijing 81, ou simplesmente B81, que será lançado oficialmente no dia 1º de agosto. Apesar de toda a recente evolução chinesa em termos de estilo, o modelo continua sendo um clone do Mercedes-Benz Classe G — mas deverá custar cerca de um quarto do preço do “panzer” de luxo alemão.

Curiosamente, os estandes de BAIC e Mercedes-Benz ficavam frente a frente no salão, reflexo da parceria entre as duas empresas na China. A Beijing Benz produz localmente os Classe C, Classe E, GLC e a linha elétrica EQ, além de veículos comerciais em conjunto com a Foton Daimler.

BAIC B81 -traseira (Foto - Jason Vogel)

Com 5,05 m de comprimento e cerca de 2 m de largura, o B81 será o maior modelo fora de estrada da marca e brigará com jipões como o Tank 700 Hi4-T. Utiliza chassi de longarinas separado da carroceria — uma herança direta do BAW BJ212, lançado há 61 anos.

Na suspensão, porém, há refinamento: duplo A independente na dianteira e eixo rígido na traseira, com molas pneumáticas de altura variável e amortecedores ativos ajustados por sensores e LiDAR.

Mercedes G-Wagen, a inspiração (Foto - Jason Vogel)

BAIC B81 - semelhança (Foto - Jason Vogel)

A tecnologia embarcada inclui conectividade via satélite BeiDou para comunicação em áreas remotas e um interior totalmente digitalizado, com painel contínuo de telas e comandos físicos dedicados ao sistema 4x4. Haverá até configurações com possível aplicação militar.

Os detalhes oficiais do conjunto motriz ainda não foram divulgados. A fabricante, porém, já adiantou que, diferentemente do antecessor BJ80 (sem eletrificação), o B81 será um elétrico de autonomia estendida (EREV), com gerador dedicado e dois motores elétricos.

Outra pré-estreia chamava a atenção pela pintura violeta pop combinada a detalhes em tons de cobre no lugar dos cromados. Trata-se do B70, com lançamento previsto na China para o início do ano que vem. A placa em ideogramas revela o nome local: “Caçador Urbano”.

Enquanto o B81 copia o Classe G, o B70 remete ao Land Rover Defender atual, combinando silhueta robusta com superfícies curvas, especialmente nos para-lamas. Ainda assim, busca identidade própria com grade de frisos verticais e luzes diurnas em formato de sobrancelha.

Por enquanto, há poucos dados técnicos. Sabe-se apenas que o modelo terá versões EREV e compartilhará diversos componentes com o B81.

BJ40 com o pacote Everest (Foto - Jason Vogel)

Menos suntuoso e mais voltado ao “pé na lama”, o BJ40 é um utilitário com dimensões próximas às do Jeep Commander. Sua geração atual está no mercado desde 2023, mas recentemente ganhou uma versão com autonomia estendida, na qual um motor 1.5 turbo atua como gerador para dois motores elétricos. O resultado são cerca de 550 cv e 66,8 kgfm.

Mantendo o chassi de longarinas, o BJ40e combina robustez com suspensão mais sofisticada: duplo braço na dianteira e multibraço na traseira. O pacote inclui três bloqueios de diferencial e um sistema eletrônico de gerenciamento de terreno, com múltiplos modos de condução.

A bateria foi integrada ao chassi com proteção estrutural e sistema de remoção rápida para manutenção. Os pneus 275/55 R20 reforçam tanto o visual quanto a capacidade off-road.

Pelo que se vê na ficha, o modelo mantém boas características para o off-road, como capacidade de travessia em água de até 750 mm. A bateria de 40,3 kWh garante até 152 km em modo elétrico, enquanto a autonomia total supera 1.200 km (ciclo CLTC).

No salão, o modelo foi mostrado também com o kit Everest, que inclui para-choque reforçado, amortecedores especiais, rodas forjadas, pneus mais agressivos, estribos, rack de expedição e barra de luzes LED no teto. Bem bacana! 

Enquanto a marca BAIC foca em SUVs off-road (como a linha BJ40), a divisão Foton cuida dos veículos comerciais com motores a diesel — como as picapes Tunland V7 e V9.

No salão, porém, o modelo também foi mostrado com o nome de BAIC Pickup (simples assim). Essa configuração traz motor 2.4 turbodiesel associado a um sistema híbrido leve de 48V e o onipresente câmbio automático ZF de oito marchas.

Com 5,54 m de comprimento e 3,35 m de entre-eixos, é uma picapona que encosta no território das full-size. Para comparação, a Ford Ranger vendida no Brasil mede 5,35 m e 3,27 m.

Entre os elétricos, a Arcfox se concentra em carros de passeio eletrificados com condução assistida. Entre os principais modelos estão o hatch compacto T1, os SUVs da família Alpha e sedãs como o αS5, além da minivan Kaola.

A novidade foi a abertura da pré-venda do sedã médio-grande S3 (4,91 m), rival do BYD Seal e peça-chave na expansão internacional da marca. A Arcfox já atua em mercados da América Latina, Oriente Médio, Ásia e África.

A ambição de subir de nível também fica clara na Stelato, divisão criada em parceria com a Huawei. Os sedãs elétricos S9 e S9T funcionam como vitrines tecnológicas, com sistemas avançados de assistência à condução e interior altamente digitalizado. Miram o topo do mercado, hoje ocupado por modelos como BMW i7 e Mercedes-Benz EQS.

História: influências soviéticas e norte-americanas

O discurso de modernização contrasta com a origem da empresa. A trajetória da BAIC teve início em 1958, com a criação da Beijing Automobile Works (BAW). Seu primeiro modelo foi um sedã derivado do soviético GAZ-21 Volga, mas foi com o jipe BJ212, lançado em 1965, que a fabricante consolidou sua identidade.

Simples e robusto, o modelo atravessou décadas praticamente inalterado e se tornou um dos símbolos da indústria chinesa. Hoje, a BAW já não faz parte do grupo BAIC, mas o 212 continua em produção — agora como marca independente.

A virada veio nos anos 1980, com a criação da Beijing Jeep Corporation, joint venture com a American Motors Corporation. A produção do Cherokee XJ em Pequim introduziu novos padrões de engenharia e qualidade.

A produção de modelos Jeep pela BAIC foi encerrada gradualmente após a separação entre Daimler e Chrysler, em 2007.

Embora a Jeep não fabrique mais veículos com a BAIC, a estatal chinesa manteve direitos e ferramental de projetos antigos, desenvolvendo sua própria linha de SUVs “raiz” com base nessa herança. Modelos como o BJ40 são descendentes diretos dessa engenharia e dessa estética.

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