Os culpados? o alto custo de produção de novos modelos e o avanço dos rivais chineses
A última década não tem sido nada fácil para as marcas ocidentais. Para o grupo Volkswagen, em especial, os alemães já falam em eliminar dezenas de milhares de empregos em sua terra natal até o fim da década. Em uma carta recente aos acionistas, o CEO Oliver Blume revelou que cerca de 50.000 postos de trabalho serão cortados nos próximos quatro anos em todas as suas marcas.
Além dos cortes de pessoal, a empresa também está reduzindo a produção global anual para nove milhões de veículos, a fim de evitar excesso de capacidade. Antes de a pandemia causar impactos, no início de 2020, o Grupo VW produzia mais de 10 milhões de unidades por ano.
A marca Volkswagen caiu 7,6%, enquanto a demanda pelas espanholas SEAT/Cupra recuou 1%. A Audi teve queda de 6,1%, mas o maior baque foi sentido pela Porsche, que sofreu um recuo de 14,7%, somando apenas 61.000 unidades.
Até as marcas mais exclusivas tiveram um trimestre difícil. A Bentley viu as entregas caírem 9,9% e a Lamborghini recuou 11,7%. O único ponto positivo no conglomerado foi a tcheca Skoda, que cresceu 14%, para 271.900 unidades.
Mas a alta da Skoda não é suficiente para compensar os problemas globais enfrentados pela controladora. Arno Antlitz, CFO & COO do grupo, aponta que a ascensão das marcas chinesas em todo o mundo está gerando uma forte “pressão competitiva”.
Para piorar, as tarifas nos Estados Unidos afetaram a saúde financeira da empresa e a solução imediata recai em novos cortes. Antlitz defende que a companhia precisa transformar fundamentalmente seu modelo de negócios para alcançar melhorias sustentáveis.
Segundo o executivo, isso inclui melhorar a estrutura de custos dos veículos sem comprometer a essência do produto. O plano envolve reduzir custos indiretos, aumentar a eficiência das fábricas e acelerar o desenvolvimento de tecnologia.
Arno Antlitz não é o primeiro a alertar sobre o atual modelo de negócios. Em julho de 2025, quando ainda era CEO da Porsche, Oliver Blume já dizia aos funcionários que a estrutura que serviu ao grupo por décadas não funciona mais da mesma forma no cenário atual.
Atualmente, a empresa enfrenta uma pressão sem precedentes, somada aos altos custos de mão de obra e energia na Europa. Outro fator contrário é a aceleração do fim dos carros com motor a combustão determinada pela União Europeia.
Embora a Skoda pareça ir na contramão, ela também enfrenta problemas, como a saída iminente da China após o desabamento das vendas. Isso mostra como o mercado pode mudar drasticamente em um intervalo de tempo muito curto.
VW pode vender fábrica de EVs para BYD
E entre os ajustes de contas que a alemã pretende realizar, uma chamou atenção nos últimos dias: a Volkswagen vem tendo conversas com a chinesa BYD para vender a fábrica de Dresden, na Alemanha. A informação é do CarNewsChina, que cita fontes familiarizadas com o assunto.
Segundo a publicação, a ideia envolve utilizar uma parte da planta para produção de carros elétricos voltados ao mercado europeu, enquanto o restante do complexo seria convertido em um centro de inovação. O projeto incluiria parceria com o governo do estado da Saxônia e a TU Dresden.
A unidade em questão é a Gläserne Manufaktur, conhecida pela produção de modelos como o e-Golf e, mais recentemente, o ID.3. A Volkswagen encerrou a produção de veículos no local no fim de 2025, abrindo espaço para novos usos industriais e tecnológicos.
O tema também se conecta ao cenário político e industrial recente. A Reuters já reportou que autoridades chinesas vêm orientando fabricantes a priorizar investimentos em países europeus com posição mais neutra em relação às tarifas sobre veículos elétricos. A Alemanha, por exemplo, votou contra a adoção dessas medidas na União Europeia.
Os elétricos chineses da VW feitos em parceria com a Xpeng
Internamente, a própria Volkswagen avalia alternativas para lidar com a ociosidade em sua estrutura industrial. O CEO da empresa, Oliver Blume, afirmou recentemente que compartilhar capacidade produtiva com fabricantes chineses pode ser uma solução viável para reduzir custos e otimizar ativos.
Além da BYD, outras marcas chinesas como MG Motor e Xpeng também estariam analisando oportunidades semelhantes em fábricas da Volkswagen na Europa, segundo as mesmas fontes. A segunda, aliás, é parceira da alemã na China e pode até virar fornecedora de elétricos para o grupo em outras regiões, como o próprio continente europeu.
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