Marca registra primeira perda em 70 anos e muda estratégia mundial; no Brasil, fabricante mantém plano de R$ 4,2 bilhões
Os últimos meses não têm sido nada fáceis para a Honda. Tal como já ocorreu com a Nissan, a marca responsável por modelos como o Civic e o HR-V registrou seu primeiro prejuízo operacional nos seus setenta anos de história, estimado em cerca de US$ 2,59 bilhões (aproximadamente R$ 13,4 bilhões).
Como dito, é o primeiro resultado negativo desde sua abertura de capital, em 1957, e abriu um sinal de alerta enorme sobre os futuros investimentos da companhia e sua viabilidade no mercado elétrico global como um todo.
O CEO Toshihiro Mibe, como relata a Automotive News Europe, resume a situação em termos diretos:
"Temos que estancar a sangria o quanto antes e abrir caminho para um crescimento futuro. Essa é a maior responsabilidade que eu tenho".
O balanço do último exercício aponta que os problemas estão ligados diretamente aos modelos elétricos - poucos, diga-se - que não corresponderam às expectativas da fabricante japonesa. Além do prejuízo operacional de 414,3 bilhões de ienes, a empresa registrou baixas contábeis relacionadas a projetos a bateria de cerca de US$ 9,9 bilhões. São números que interrompem quase sete décadas de lucros e colocam pressão para a marca redefinir suas prioridades industriais.
Com isso, a Honda é mais uma a abandonar a ideia de uma gama totalmente elétrica até 2040, adotando agora uma estratégia multitecnologia, na qual híbridos e motores a combustão evoluídos convivem no portfólio. A meta passa a ser a neutralidade de carbono até 2050. A reestruturação visa estancar as perdas bilionárias e focar em tecnologias que o mercado consumidor global tem aceitado com maior facilidade no momento atual.
Os problemas da Honda vão além da eletrificação e passam pela dificuldade de se manter competitiva na China. Em cinco anos consecutivos de queda, as vendas no país asiático despencaram de 1,62 milhão de unidades em 2020 para apenas 640 mil em 2025. Atualmente, apenas metade da capacidade instalada de suas fábricas em Wuhan e Guangzhou está em uso - bem abaixo dos 80% normalmente necessários para gerar lucro operacional.
Recentemente, Mibe viajou à China para entender a "China Speed", termo que descreve a capacidade local de desenvolver carros novos em apenas dois anos, enquanto marcas tradicionais levam o dobro do tempo. Ao visitar uma unidade automatizada em Xangai, o executivo presenciou a origem da vantagem competitiva chinesa: rapidez, baixo custo e eficiência. A declaração ao jornal Nikkei Asia foi contundente: "Não temos chance contra isso".
Para retomar o crescimento, a Honda cancelou projetos elétricos como o 0 SUV, o 0 Sedan e até o SUV elétrico de sua marca premium, a Acura. Até os modelos da marca Afeela, desenvolvidos em parceria com a Sony, foram abandonados em uma fase já bem próxima do lançamento. O novo foco está no desenvolvimento de 15 modelos híbridos até 2030, com os primeiros lançamentos previstos para os próximos dois anos sobre plataformas totalmente novas.
A nova fase inclui a reestruturação da área de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D), restaurando a independência da divisão para acelerar os processos de engenharia. Entre os projetos antecipados, aparecem um sedã fastback que remete à futura geração do Accord e um novo SUV para a marca Acura. A marca também quer reduzir em 30% os custos dos sistemas híbridos em relação aos conjuntos introduzidos em 2023.
Industrialmente, a Honda quer reforçar sua cadeia de suprimentos local, especialmente nos Estados Unidos. A parcela de componentes comprados localmente saltará dos atuais 16% para 64% até 2028, podendo superar os 90% no fim da década. O objetivo final é melhorar a eficiência geral dos veículos, reduzindo o consumo de combustível em até 10%.
Já deste lado do globo, a Honda vem se saindo bem em mercados da América do Sul. No Brasil, em especial, domina a participação no mercado brasileiro de motocicletas, com números acima dos 90%. Tanto é que já planeja expandir a atual capacidade 1,5 milhão de motocicletas produzidas anualmente para cerca de 1,6 milhão.
Entre os carros, apesar de já ter visto dias melhores - especialmente com o Civic - a japonesa atingiu a produção de 2,5 milhões de carros em janeiro. O último lançamento da Honda foi o SUV de entrada WR-V, baseado no City, modelo que faz parte do plano de investimento de R$ 4,2 bilhões anunciado em 2024 para a expansão da marca na região.
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