Nova divisão chega em 2027 para elevar margens e reposicionar a marca
A Leapmotor planeja lançar uma segunda marca em 2027, voltada ao segmento premium, com modelos posicionados acima de 300 mil yuan, o equivalente a cerca de R$ 219 mil. A informação foi divulgada pelo veículo chinês Latepost Auto e indica uma mudança relevante na estratégia da fabricante, que até aqui construiu sua presença com foco em veículos elétricos mais acessíveis.
De acordo com o plano inicial, a nova marca terá uma rede de vendas independente, separada dos canais atuais da Leapmotor. A empresa não comentou oficialmente o projeto, mas o movimento segue uma lógica já conhecida na indústria: criar uma submarca para avançar em faixas de preço mais altas sem comprometer o posicionamento original.
Hoje, a Leapmotor atua com uma linha que vai de 65.800 a 269.800 yuan, ou aproximadamente R$ 48 mil a R$ 197 mil, abrangendo sedãs, SUVs e minivans com opções totalmente elétricas e também com extensor de autonomia. Esse posicionamento ajudou a empresa a ganhar escala, mas também limita o avanço em segmentos mais rentáveis.
Em 2025, a Leapmotor registrou receita de 64,73 bilhões de yuan, cerca de R$ 47,2 bilhões, e lucro líquido de 540 milhões de yuan, equivalente a aproximadamente R$ 394 milhões. Ao lado da Li Auto, a marca está entre as poucas startups chinesas de veículos elétricos que já operam no azul em um mercado ainda marcado por forte competição e pressão por preços.
O crescimento, no entanto, começa a esbarrar em um limite estrutural. O preço médio ponderado dos modelos da Leapmotor gira em torno de 125 mil yuan, cerca de R$ 91 mil, patamar próximo ao de marcas generalistas. Para avançar em rentabilidade, subir o ticket médio passa a ser praticamente obrigatório.
Esse movimento já começa dentro da própria linha atual, com os novos D19 e D99, que devem elevar o posicionamento da marca. Ainda assim, romper a barreira dos 300 mil yuan exige mais do que novos produtos. Exige reposicionamento de marca.
Montadoras tradicionais e novas fabricantes chinesas já adotaram caminhos semelhantes. Toyota criou a Lexus, Nissan lançou a Infiniti, enquanto a BYD avançou com Denza e Yangwang para disputar faixas mais altas do mercado. No caso da Leapmotor, a criação de uma nova marca permitiria preservar a proposta de custo-benefício da operação principal, ao mesmo tempo em que abre espaço para margens mais elevadas.
O desafio, porém, é maior no universo dos elétricos. Ainda não está claro qual será a estratégia de motorização da nova divisão. Apostar em modelos totalmente elétricos significa entrar no segmento mais competitivo e exigente em termos de tecnologia e percepção de marca. Por outro lado, optar por híbridos plug-in ou sistemas com extensor de autonomia pode gerar sobreposição com a linha atual, especialmente com os novos modelos em desenvolvimento.
Galeria: Leapmotor D19 - Salão de Pequim
Há ainda uma questão estrutural. Compartilhar plataformas, baterias e arquitetura eletrônica com a marca principal é quase inevitável para manter custos sob controle. Mas isso também limita o grau de diferenciação e pode dificultar a justificativa de preços mais altos.
Após uma década de operação, a Leapmotor fechou o último ano como a startup de veículos elétricos que mais vendeu na China, com 596 mil unidades. Para 2026, a meta é ambiciosa: alcançar 1 milhão de veículos vendidos e lucro líquido de 5 bilhões de yuan, o equivalente a cerca de R$ 3,65 bilhões.
Dessa forma, a entrada no segmento premium deixa de ser apenas uma opção estratégica e passa a ser uma necessidade. Em um mercado cada vez mais competitivo, crescer em volume já não basta. O próximo passo é capturar valor, e isso, no universo dos elétricos, tem se mostrado um desafio bem mais complexo do que parece.
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