Marca do Grupo Chery investe em conjuntos eletrificados rodando com etanol e fará algo que nem a Toyota fez
A agenda da Omoda & Jaecoo para o Brasil está movimentada até 2028. Neste ano, chegam o Jaecoo 5 híbrido pleno (em julho) e o Omoda 4 (até o final do ano). A marca também confirmou a apresentação do inédito Omoda 2. Os leitores do Motor1.com Brasil leram que o novo modelo de entrada chegará ao nosso mercado em 2028 já flex.
Durante nossa visita à sede do Grupo Chery em Wuhu, China, tivemos a oportunidade de falar com a equipe de engenharia responsável pelo desenvolvimento de trens de força, especialmente com o Dr. Yunfei Luan, diretor e chefe de conjuntos motrizes internacionais da Chery Automotive com passagens por Faraday Future, SAIC, Changan e General Motors. E o executivo sabe exatamente o que já está nos planos para o Brasil.
Na contra-mão da tendência para os híbridos
Uma tecnologia que tem se popularizados nos carros 0km vendidos no Brasil é a injeção direta de combustível. É algo encontrado em carros bastante conhecidos, como o Toyota Corolla nas versões apenas a combustão, por exemplo. No entanto, não é difícil encontrar na internet e nas redes sociais relatos de proprietários tendo problemas com tal sistema.
Um deles é formação de borra no cabeçote, pois o combustível, injetado diretamente nos cilindros, não passa pelo cabeçote. Sem o efeito de "lavagem" do combustível na parte de cima do motor, forma-se borra com o tempo. O outro é o aparecimento de defeitos precoces nos bicos injetores, especialmente com uso intensivo de etanol.
Na China, é possível que a Omoda & Jaecoo não tenha conhecimento disso, mas seus propulsores híbridos 1.5 turbo que serão oferecidos como flex no Brasil não terão a injeção direta. Será usado a injeção indireta multiponto convencional. O Dr. Yunfei diz que foi uma medida para reduzir custos, mas indiretamente, pode gerar propulsores mais confiáveis no longo-prazo.
Comparativo: Yaris Cross XRX encara Omoda 5 Prestige
Esse novo 1.5 turbo flex ainda aproveitará uma característica do etanol ao trabalhar com uma taxa de compressão extremamente elevada: de 15 para 1. Isso significa que seja lá o que for que entrar no cilindro será comprimido ainda mais do que em motores convencionais. Isso porque o combustível brasileiro, seja etanol ou a gasolina com alta concentração de etanol, aguenta muita compressão sem detonar antes da hora como a gasolina pura, efeito conhecido como "batida de pino". Trabalhar com compressão elevada torna a queima mais eficiente e limpa.
O chefe de desenvolvimento de conjuntos motrizes do Grupo Chery afirmou que "estamos cientes de que haverá uma pequena perda de potência no 1.5 turbo sem injeção direta, mas temos diversas opções para compensar essa perda com a atuação dos motores elétricos". Aqui vale apontar que o motor a combustão e os elétricos, além da transmissão DHT (específica para híbridos), são os mesmos para híbridos plenos ou plug-in, mudando-se apenas o tamanho do conjunto de baterias. O sistema flex ainda trabalhará com sistema de pré-aquecimento do etanol diretamente nos bicos, processo que levará cerca de 5 segundos.
Dr. Yunfei também aposta numa vantagem dos conjuntos da Omoda & Jaecoo: "nossos híbridos plenos têm mais bateria que a média das rivais ocidentais com 1,8 kWh de capacidade, contra uma média de 1 kWh ou 1,5 kWh em outros carros". O executivo ainda afirmou que a eficiência dos híbridos plenos está chegando a um nível tão elevado que, dependendo do mercado, o híbrido plug-in não faz sentido economicamente.
Não quiseram dizer, mas o Omoda 2 terá 1.0 três-cilindros
Outro tema abordado pela engenharia do Grupo Chery é que a Omoda & Jaecoo oferecerá um motor 1.0 turbo de três cilindros no Brasil, previsto para 2028. Segundo Dr. Yunfei Luan, esse propulsor já será flex. No entanto, ainda não está pronto e o executivo não quis se comprometer em dar dados de desempenho e performance, dizendo apenas que "sabemos que esse tipo de propulsor é importante para o Brasil por questões fiscais".
Mesmo perguntado várias vezes, Dr. Yunfei não soube dizer se esse era o motor que equiparia o vindouro Omoda 2, novidade que será a porta de entrada da Omoda & Jaecoo no Brasil. Mas olhem só que coincidência incrível: o carro deve chegar ao nosso País em 2028, o mesmo ano previsto para o 1.0 turbo. Além disso, o 2 será posicionado abaixo do Omoda 4, que trará o 1.5 turbo híbrido pleno. Usar o 1.0 turbo seria mais uma diferenciação entre os carros.
O que realmente ainda está em aberto nas discussões de desenvolvimento de conjuntos motrizes do Grupo Chery para o Brasil é se o tricilíndrico 1.0 turbo será eletrificado ou não. Há argumentos para os dois lados. Se for eletrificado, mantém o caminho que a Omoda & Jaecoo está trilhando neste momento em nosso mercado. Se não, o Omoda 2 pode ser o primeiro carro da empresa com conjunto 100% a combustão e manter os custos mais baixos.
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