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O Range Rover Sport P550e 2026 chega como uma proposta de luxo híbrido plug-in que prioriza conforto e desempenho elétrico sem sacrificar a presença tradicional da marca. Com bateria generosa e acabamento de primeira, trata-se de um utilitário que entrega amplitude de uso elétrico combinada com a familiaridade do motor a combustão.

No coração do conjunto está o seis cilindros em linha 3.0 litros, turbo e intercooler, com arquitetura DOHC de 24 válvulas, capaz de gerar 395 hp e 405 lb-ft de torque. O motor elétrico acoplado à transmissão automática de oito marchas adiciona até 215 hp e 332 lb-ft, totalizando 543 hp e 590 lb-ft. A bateria é de 32 kWh (íon-lítio) e aceita recarga de até 7,2 kW em AC e 50 kW em DC.

Em desempenho bruto, o incremento de potência é perceptível: o P550e faz 0–60 mph em 4,4 segundos e percorre o quarto de milha em 13,0 segundos a 108 mph. Apesar disso, o peso em ordem de marcha não é desprezível — 6.444 lb — o que relativiza ganhos dinâmicos e explica diferenças moderadas em relação à versão P460e, que declara 454 hp/487 lb-ft e 6.199 lb.

No uso urbano com o carro em modo EV, a entrega elétrica impressiona pela suavidade e pela capacidade de mover um conjunto volumoso com facilidade aparente. Em um teste a 75 mph na rodovia, a bateria permitiu uma autonomia elétrica de 54 milhas, superando estimativas EPA; quando a carga termina, o consumo médio registrado foi de 26 mpg.

A operação em modo Hybrid é menos elegante: arrancadas combinam um impulso elétrico inicial seguido de uma partida do motor, com o tacômetro salpicando por volta de 3.000 rpm por breves instantes antes da troca. O motor tende a permanecer ligado salvo sob frenagens ou longos decaimentos de aceleração. Selecionando S, o seis-em-linha fica mais presente, com o elétrico atuando como preenchedor de torque.

Aos que privilegiam conforto, o conjunto de molas pneumáticas e amortecedores adaptativos cumpre com louvor: rodar macio e isolado é a prioridade, e o modo Dynamic pouco altera essa filosofia. A unidade registrou 0,82 g no skidpad, evidência de que a massa e a geometria penalizam a busca por esportividade nem sempre compatível com o caráter do carro; há assistência de quatro rodas direcionais, porém o peso se faz sentir nas curvas.

O interior segue o padrão premium esperado: materiais refinados por toda parte, superfícies de toque aprazíveis e detalhes que reforçam a proposta de luxo — ainda que o acabamento em piano black exija cuidados. A central roda a versão mais recente do software Pivi Pro, eliminando muitos controles físicos (a ausência de botão de volume é notável) e exigindo mais atenção nas operações de clima e modos do veículo; felizmente, Apple CarPlay e Android Auto sem fio permitem delegar boa parte da interação. Quanto ao preço, a versão base listada é de $120.550 e o exemplar testado chegou a $127.255 com opcionais como sistema de entretenimento traseiro ($3.150) e pacote de reboque ($1.200). Importante: o P550e passa a ser oferecido apenas na edição Battersea, com preço inicial de $113.850, ao passo que a linha Autobiography agora parte de $122.750 equipada com um V8 4.0 litros biturbo de 523 hp e 553 lb-ft, sem sistema híbrido.

Completa o pacote um conjunto técnico robusto: transmissão de oito marchas, freios ventilados de 15,8 in na frente e 14,6 in atrás, pneus Pirelli Scorpion Zero All Season 285/45R-22, entre-eixos de 118,0 in e dimensões totais de 194,7 in de comprimento por 78,9 in de largura e 71,7 in de altura. Espaço interno e porta-malas estão na casa dos 55/50 ft3 de volume de passageiros e 53/32 ft3 para carga. Em síntese, o P550e entrega uma amostra convincente do que um Range Rover pode ser nesta era de transição: conforto de primeiro nível, capacidade elétrica real e a praticidade de um motor a combustão quando necessário.