Conceito mostrado na Itália antecipa modelo de luxo para voar baixo na autobahn
Fundada em 1965 por Burkard Bovensiepen, a Alpina nasceu na Baviera como uma pequena preparadora especializada em kits para “envenenar” BMW. O sucesso veio rápido, levando os BMW Alpina 3.0 CSL (com a pintura laranja dos licores Jägermeister) ao Campeonato Europeu de Carros de Turismo. Pilotos como Niki Lauda e Derek Bell correram pela equipe.
Em meados de 1973, a BMW criou sua própria divisão esportiva interna — a BMW Motorsport GmbH, chefiada por Jochen Neerpasch. A partir dali, a equipe da Alpina passou a travar batalhas épicas nas pistas contra a equipe oficial da BMW, que corria com carros brancos decorados pelas listras tricolores da M.
No fim dos anos 1970, a Alpina deixou de atuar apenas como preparadora e foi reconhecida oficialmente pelo governo alemão como fabricante de automóveis, passando a criar versões mais velozes e luxuosas dos BMW de série. Vieram modelos como o B10 BiTurbo (E34, de 1989) e o B7 (G12, de 2016), que, em suas épocas, foram os sedãs mais rápidos do mundo.
Embora a Alpina operasse em suas instalações em Buchloe, o fluxo de componentes com Munique era oficial. A BMW fornecia monoblocos vazios, motores e transmissões diretamente para a Alpina. Lá, os motores eram desmontados e reconstruídos manualmente com pistões forjados, cabeçotes retrabalhados, comandos de válvulas mais brabos e turbocompressores gigantes. O carro recebia suspensão e freios redimensionados. No fim, ganhava uma numeração de chassi própria da preparadora.
Essa longa e histórica simbiose foi tão bem-sucedida que, após a morte do fundador Burkard Bovensiepen, a marca Alpina acabou oficialmente adquirida e integrada ao grupo BMW. O negócio foi concluído no fim do ano passado.
Vision BMW Alpina Coupé, no Concorso d’Eleganza Villa d’Este
A primeira criação dessa nova fase foi mostrada no último fim de semana em um local apropriado, no sopé dos Alpes: o ultrachique Concorso d’Eleganza Villa d’Este, às margens do Lago de Como, no norte da Itália. O conceito Vision BMW Alpina Coupé mostra que a divisão continuará fiel aos GTs refinados e capazes de voar baixo pelas autobahnen sem limitações eletrônicas de velocidade.
Com nada menos que 5,20 metros de comprimento, o protótipo tem quatro lugares. Os passageiros de trás viajam em duas poltronas separadas por um console com geladeira.
A plataforma do conceito vem do Série 8 (G15), cuja produção foi encerrada no mês passado — e a BMW deixa claro que o carro não chegará à produção exatamente dessa forma. O objetivo da marca foi usar o cupê como manifesto de design para indicar como será a Alpina daqui para frente.
A dianteira traz uma releitura moderna da frente bicuda (e com um enorme spoiler) dos BMW 3.0 CSL Alpina do início dos anos 1970. Essa identidade visual da marca continua presente em elementos como o logotipo com a corneta dupla de um carburador Weber e um virabrequim. É um dos escudinhos mais bacanas de todos os tempos e agora ganhou um visual mais limpo e monocromático — antes era azul e vermelho.
As rodas de 22 polegadas na dianteira e 23 polegadas na traseira mantêm o tradicional desenho de 20 raios, uma assinatura da Alpina desde 1971.
Mas a principal mensagem do Vision BMW Alpina Coupé está sob o capô: em vez de aderir totalmente à eletrificação, a divisão mostra que continuará preservando motores de grande cilindrada. O conceito traz um V8 biturbo com sistema híbrido leve, conjunto que deverá estrear no primeiro modelo de produção da nova Alpina — provavelmente um sedã derivado do atual BMW Série 7. Seu lançamento está previsto para o ano que vem.
Evitar um modelo elétrico nesse recomeço faz parte de uma estratégia para não afastar a clientela tradicional da Alpina, marca historicamente associada a motores grandes e de funcionamento suave, feitos para longas viagens de pé embaixo.
Acima dos M Performance e próximo dos “M puros”
Na hierarquia da BMW, a nova Alpina ficará posicionada acima das versões M Performance e próxima dos BMW M mais potentes. A expectativa é trabalhar com motores acima dos 600 cv, mas mantendo uma proposta menos radical do que a dos esportivos da divisão M. A ideia é privilegiar estabilidade e conforto na autobahn, sem transformar o carro em um esportivo de pista.
Isso também explica a denominação dos modos de condução: em vez de “Sport” e “Sport Plus”, a Alpina usará “Speed” e “Speed Plus”. Outra característica será a ausência de limitador eletrônico de velocidade máxima. Segundo a BMW, um carro da Alpina deve poder rodar “tão rápido quanto for possível”.
O modo Comfort+ continua existindo e promete um rodar ainda mais suave do que o já conhecido ajuste confortável dos BMW convencionais.
O interior reforça a ideia de grand tourer luxuoso. O novo painel Panoramic iDrive ocupa praticamente toda a largura da cabine, incluindo uma tela adicional para o passageiro. A interface gráfica da Alpina terá identidade visual própria, usando tons de azul e verde de maneira discreta.
Os grandes cupês da Alpina ainda deverão existir no futuro. A BMW confirmou internamente que há planos para um novo GT totalmente elétrico a ser lançado depois de 2030. Até lá, para alegria dos tradicionalistas, a Alpina pretende continuar apostando na combinação de motores V8, conforto absoluto e velocidade sem amarras eletrônicas.
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