Avanço dos HEVs com Geely e mudança no mix da BYD indicam nova fase da eletrificação
A expansão dos híbridos convencionais (HEV) na China começa a se tornar realidade. O movimento ganha tração com a Geely, que confirmou o início da produção em larga escala de seu sistema i-HEV, ao mesmo tempo em que dados recentes da BYD revelam uma mudança relevante no equilíbrio entre veículos elétricos a bateria (BEV) e híbridos plug-in (PHEV).
O avanço ocorre em um mercado que já atingiu maturidade em eletrificação. Em março de 2026, os veículos eletrificados (PHEVs + BEVs) superaram 52% de participação nas vendas chinesas. Ainda assim, o crescimento dos HEVs indica que a transição não está seguindo um caminho único, mas se reorganizando em múltiplas frentes tecnológicas.
No caso da Geely, a virada é concreta. Após apresentar sua nova geração de sistemas híbridos, a fabricante confirmou o início da aplicação industrial do conjunto i-HEV em modelos como Emgrand, Preface, Monjaro e Boyue L, marcando a transição de uma estratégia baseada em anúncios para uma execução em escala.
O sistema combina motor a combustão com eficiência térmica de até 48,4% e gerenciamento energético baseado em software, com lógica adaptativa que ajusta o funcionamento em tempo real. O consumo declarado é de 21 km/l nos SUVs grandes, com resultados ainda mais baixos em condições específicas, como o declarado de 45 km/l, o que é impressionante.
O movimento do mercado sinaliza uma mudança de posicionamento. Os HEVs passam a ser tratados como parte estrutural da estratégia das montadoras chinesas, inclusive como resposta direta à histórica dominância da Toyota nesse tipo de tecnologia.
Esse reposicionamento não se limita à Geely. Fabricantes como Chery, Changan e GAC também ampliam investimentos em arquiteturas híbridas mais sofisticadas, muitas vezes integradas a plataformas capazes de suportar diferentes tipos de motorização dentro de uma mesma base técnica.
Ao mesmo tempo, os dados da BYD ajudam a dimensionar a mudança dentro do próprio universo dos eletrificados. Em janeiro de 2026, a marca registrava 40,5% de BEVs e 59,5% de PHEVs. Em março, o cenário já se aproximava de um equilíbrio, com 49,9% de elétricos puros e 50,1% de híbridos plug-in, mostrando um peso maior dos híbridos.
A redução dos incentivos aos NEVs recoloca os HEVs no centro da estratégia das chinesas. A partir de 2026, os benefícios fiscais para BEVs e PHEVs foram reduzidos, limitando a vantagem de custo dessas tecnologias e abrindo espaço para soluções híbridas convencionais ganharem competitividade.
O avanço dos HEVs na China também antecipa um movimento mais amplo da indústria, com impactos diretos fora do país. À medida que a eletrificação avança de forma desigual entre regiões, os híbridos convencionais passam a ganhar relevância como solução intermediária viável, especialmente em mercados onde a infraestrutura de recarga ainda é limitada ou os elétricos ainda são caros na média.
Nesse cenário, a disputa deixa de ser exclusivamente entre elétricos e modelos a combustão. O foco passa a ser a capacidade de equilibrar custo, eficiência e flexibilidade tecnológica, um terreno onde os híbridos voltam a ganhar protagonismo, principalmente agora com uma tecnologia melhor.
No Brasil, esse movimento tende a aparecer nos próximos ciclos de lançamento. Marcas chinesas como Caoa-Changan, Omoda-Jaecoo, GAC e GWM já executam estratégias mais amplas de eletrificação, com diferentes arquiteturas convivendo no portfólio, incluindo híbridos convencionais ao lado dos modelos totalmente elétricos, que também continuam avançando forte.
O que se desenha é uma nova fase da transição energética. Em vez de uma trajetória linear rumo ao elétrico puro, a indústria passa a operar com múltiplos caminhos em paralelo e, nesse novo equilíbrio, os HEVs voltam a ocupar um espaço que parecia já superado.
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