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Lotus For Me: um híbrido mais barato e potente que o Eletre convencional

Conheça o Lotus For Me, SUV PHEV que entrega 952 cv, 1.200 km de autonomia e custa menos que o Eletre elétrico. Veja os detalhes e as chances de vir ao Brasil.

Lotus For Me: um híbrido mais barato e potente que o Eletre convencional

Primeiro PHEV da marca estreia em Pequim com grande chance de chegar ao Brasil

A Lotus prepara o início de sua operação no Brasil. É hora de dedicar mais atenção aos novos rumos da marca fundada por Colin Chapman na Inglaterra e hoje controlada pelo grupo chinês Geely, com produção em Wuhan, na China. 

Passado e futuro dividiram espaço no estande da empresa no Salão de Pequim 2026: ao lado do histórico Lotus 78 com que Mario Andretti conquistou o título mundial de Fórmula 1 de 1978, havia dois exemplares do mais novo modelo da companhia: o Lotus For Me, chamado de Eletre X nos mercados de exportação.

Na prática, o For Me é uma versão híbrida do SUV Eletre convencional, mas com uma proposta técnica diferente. Em vez de depender apenas de uma grande bateria de 112 kWh, a novidade estreia a arquitetura PHEV 900V X-Hybrid (ou Hyper Hybrid), combinando um motor 2.0 turbo a gasolina, dois motores elétricos (um em cada eixo) e uma bateria de 70 kWh fornecida pela CATL.

O resultado é um conjunto híbrido plug-in com potência combinada de 952 cv e 95,3 kgfm de torque, números suficientes para levar este SUV de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos. Mesmo com apenas 10% de carga na bateria, a Lotus afirma que o modelo ainda cumpre a mesma prova em 3,5 segundos.

Para comparação, o Eletre convencional rende 601 cv ou 917 cv, dependendo da versão (Eletre 600 ou Eletre R).

Apesar de adicionar um motor a combustão ao conjunto, o novo Lotus PHEV mantém um peso surpreendentemente próximo ao de seu irmão totalmente elétrico. O For Me pesa entre 2.575 e 2.625 kg, segundo a versão. Já o Eletre BEV vai de 2.565 kg a 2.645 kg.

Só a redução da bateria de 112 kWh para 70 kWh eliminou cerca de 220 kg a 250 kg, compensando quase integralmente a adição do motor 2.0 turbo, radiadores, transmissão e tanque de combustível. A Lotus conseguiu manter a distribuição de peso próxima de 50:50.

De qualquer forma, Colin Chapman deve estar dando voltas na tumba… Seu mantra era: “Simplify, then add lightness” (“Simplifique, depois adicione leveza”). Outro lema dizia: “Aumentar potência te deixa mais rápido nas retas. Diminuir peso te deixa mais rápido em todos os lugares”.

Lotus For Me - o Eletre X - no Salão de Pequim (Foto - Jason Vogel) 

Motor a gasolina veio dos Zeekr PHEV

O motor 2.0 turbo, código DHE20-PFZ, é o mesmo usado nos Zeekr 8X e 9X. De eficiência térmica superior a 44%, foi desenvolvido pela Horse/Aurobay, uma parceria entre Geely e Renault.

Embora funcione majoritariamente como um elétrico de autonomia estendida (EREV), o carro tem uma embreagem que permite ao motor a combustão tracionar as rodas dianteiras em altas velocidades para otimizar a eficiência em cruzeiro.

Assim, as rodas traseiras são sempre tracionadas pelo motor elétrico traseiro. Já as dianteiras podem ser movidas pelo motor elétrico dianteiro, pelo motor a combustão ou pelos dois juntos, dependendo da situação.

O sistema inclui ainda um gerador de 150 kW, responsável por manter a bateria abastecida durante viagens longas e capaz de recuperar cerca de 25 kWh de energia em uma hora de cruzeiro. Com isso, a autonomia combinada supera 1.200 km, enquanto no modo puramente elétrico o alcance chega a 350 km (ciclo WLTP)

Já o Eletre totalmente elétrico tem autonomia de 490 km.

A recarga também é um destaque. Graças à arquitetura de 900 volts e à bateria com elevada capacidade de carga, a Lotus fala em carregamento de 30% a 80% em apenas oito minutos, desde que em condições ideais e com infraestrutura compatível.

Lotus For Me - o Eletre X - no Salão de Pequim 

Visualmente, o For Me/Eletre X não tenta se afastar do Eletre convencional. As formas são praticamente as mesmas, com a diferença mais evidente na presença das saídas de escape sob o para-choque traseiro.

A base, porém, é a SEA-R, uma plataforma modular da Geely chamada Sustainable Experience Architecture, enquanto o Eletre elétrico usa a variação Electric Premium Architecture (EPA). Ambas têm a mesma “espinha dorsal” tecnológica, mas com engenharia específica para aplicação híbrida ou elétrica. A Lotus, porém, “vende” a EPA como uma plataforma exclusiva, extensamente modificada na sede de Hethel, Inglaterra, para focar em dinâmica de condução.

Por dentro, a ligação com o Eletre também é clara. O painel combina quadro de instrumentos digital estreito, head-up display de grandes dimensões, volante de quatro raios achatado no topo e na base, console central em dois níveis, iluminação ambiente e uma grande tela central flutuante. O pacote de opcionais inclui sistema de som KEF com 23 alto-falantes, teto panorâmico com dez níveis de ajuste nas versões especiais, acabamento de fibra de carbono e barras estabilizadoras ativas nos eixos dianteiro e traseiro.

A parte dinâmica tenta preservar algum vínculo com a tradição da Lotus, embora o próprio conceito de um SUV grande e pesado já seja uma ruptura com a essência da marca. O For Me traz pinças Brembo de seis pistões, suspensão pneumática de duas câmaras, amortecedores adaptativos, modos de condução Dynamic Performance Management e aerofólio traseiro ativo.

O pacote de ADAS inclui funções de navegação assistida tanto em rodovias quanto na cidade. A Lotus afirma que o desenvolvimento do modelo envolveu equipes chinesas e europeias: os britânicos concentraram esforços no acerto de chão, enquanto os chineses trabalharam no trem de força híbrido e nas tecnologias de assistência ao motorista.

Lotus 79 no Salão de Pequim (Foto - Jason Vogel)

A Lotus havia prometido abandonar os motores a combustão até 2028, mas a desaceleração global dos elétricos levou a marca a adotar os híbridos plug-in. A marca já confirmou que a tecnologia PHEV será expandida para outros modelos da linha, como o sedã esportivo elétrico Emeya.

O movimento acompanha a lógica atual da indústria: carros como o Emira — um GT com motor central a gasolina produzido na Inglaterra — preservam a imagem esportiva da marca, mas SUVs e sedãs eletrificados de alto desempenho são essenciais para sustentar volumes maiores, especialmente em mercados como China, Europa, Oriente Médio e América do Norte.

Para o Brasil, o For Me — ou Eletre X — surge como uma alternativa mais adequada a um país de longas distâncias, eliminando a ansiedade de autonomia típica dos elétricos puros.

E o melhor: na China, o For Me/Eletre X custa menos que seu irmão puramente elétrico. O híbrido PHEV estreou com preços entre 508 mil e 558 mil yuans (de R$ 368 mil a R$ 404 mil em conversão direta). Sua série especial Black and Gold Edition, limitada a 78 unidades com a clássica pintura preta e dourada da JPS, sai por 588.800 yuans (R$ 426 mil).

Já as versões 100% elétricas vão de 538 mil a 818 mil yuans (de R$ 390 mil a R$ 592 mil).

Em resumo: o híbrido For Me custa bem menos que o Eletre BEV, é mais potente e ainda oferece maior autonomia. Diante disso, quantos clientes ainda optarão pelo Eletre puramente elétrico?

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Esta publicação foi consolidada a partir da matéria original indicada abaixo.

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