Pressão cada vez maior da União Europeia e demanda baixa por elétricos complicará vida do grupo alemão nos próximos anos
Os últimos dias não tem sido nada fáceis para o grupo Volkswagen. Depois de anunciar uma série de demissões em sua terra natal e até conversas sobre uma possível venda de uma de suas fábricas para a chinesa BYD, a empresa agora se vê em mais um problema: ela terá que compensar de alguma forma as emissões de carbono que emite, ou pagar multas bilionárias para a União Europeia.
A União Europeia exige que as montadoras cumpram uma média máxima de emissões de CO2 para toda a sua frota vendida no ano. Para que a conta feche dentro do limite, a marca precisa vender uma quantidade robusta de elétricos (que emitem zero) para compensar a poluição dos rentáveis modelos a gasolina.
O problema atual da Volkswagen é que a demanda pelos elétricos esfriou na Europa. Com os consumidores comprando menos modelos de sua linha elétrica e mantendo a preferência pelos carros a combustão, a média geral de emissões do grupo disparou, ultrapassando o teto imposto pela legislação.
Para evitar as multas bilionárias, a única saída da fabricante seria emplacar um volume muito maior de veículos zero emissão para puxar essa média para baixo. É exatamente aí que o conglomerado alemão se vê espremido em um dilema financeiro.
Modelos da família ID, como o ID.4 (foto), não emplacaram como a marca esperava
É fato conhecido que as margens de lucro dos elétricos ainda não alcançaram o nível dos carros tradicionais. Forçar a venda desses modelos a bateria exigiria grandes descontos, o que sacrificaria agressivamente o caixa e o lucro da empresa.
Portanto, a montadora precisa decidir o que dói menos: perder dinheiro baixando o preço dos elétricos para atingir a meta ambiental, ou arcar com as sanções severas por poluir acima do permitido no continente.
Próxima geração de elétricos voltará a ter nomes conhecidos, começando pelo ID.Polo (foto)
Até que a nova tecnologia se torne tão lucrativa quanto a antiga, a marca vive uma situação complexa. A própria diretoria da empresa já reconhece publicamente o tamanho do desafio financeiro que está por vir.
"Fazemos um trade-off entre o dinheiro que perdemos com a multa de CO2 e o dinheiro que perdemos com a redução de margem dos EVs", explicou o CFO e COO do Grupo VW, Arno Antlitz.
"Fazemos um trade-off entre o dinheiro que perdemos com a multa de CO2 e o dinheiro que perdemos com a redução de margem dos EVs", explicou o CFO e COO do Grupo VW, Arno Antlitz.
Para traduzir o termo financeiro, é a famosa síndrome do "cobertor curto". A montadora não tem como sair ganhando dos dois lados e precisa escolher qual prejuízo é menos pior para as contas da empresa naquele momento.
Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, Antlitz detalhou o rombo. A empresa corre o risco de pagar até € 1,5 bilhão - cerca de R$ 8,6 bilhões em cotação atual - por exceder as metas de emissões.
Mesmo com o ID. Polo chegando ainda este ano e um elétrico mais barato - que deve ficar no lugar deixado pelo Up e previsto para 2027 - a meta não será batida. A empresa já trabalha com o cenário de infração no período estabelecido pela legislação.
"Basicamente, serão quase € 1,5 bilhão no período de três anos", declarou Antlitz de forma contundente aos investidores.
"Basicamente, serão quase € 1,5 bilhão no período de três anos", declarou Antlitz de forma contundente aos investidores.
O Grupo VW não espera que os elétricos igualem a rentabilidade da combustão antes da nova plataforma SSP, prevista para o fim desta década. Até lá, a gigante alemã trabalha para reduzir essa diferença.
Galeria: Conceito Volkswagen ID.Cross 2025
O futuro SUV elétrico ID.Cross, por exemplo, que tem maior margem justamente por ser um modelo mais altinho, tem projeção estimada de lucro de cerca de 80% da margem de lucro do T-Cross que conhecemos hoje. Enquanto isso, o mercado geral mostra um avanço consistente da eletrificação.
Dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) revelam o cenário atual. Os carros elétricos atingiram 20,6% de participação nos emplacamentos de veículos novos nos três primeiros meses deste ano.
Ou seja, um em cada cinco automóveis novos vendidos na Europa atualmente já dispensa a gasolina. Ainda assim, o Grupo VW afirma que precisa vender "mais carros elétricos do que a demanda natural na Europa". Só com esse esforço extra a marca conseguirá reduzir as emissões médias da sua frota e diminuir as multas. Apesar das dificuldades, há motivos para otimismo dentro dos escritórios da fabricante alemã.
Nem todas as noticias são ruins. Recentemente, a Volkswagen teve um aumento de 11,5% na demanda de seus elétricos em comparação ao primeiro trimestre de 2025. O número total atingiu a marca de 176.400 unidades comercializadas na região. Contudo, o desafio das emissões tende a se intensificar ainda mais.
Regras rigorosas entram em vigor em 2030, exigindo um corte de 55% no CO2 na comparação com os níveis de 2021. E, a partir de 2035, a meta impõe uma redução drástica de 90%. Consequentemente, a maior parte dos investimentos da indústria automotiva agora se concentra nos conjuntos híbridos e, sobretudo, nos elétricos puros.
Embora a proibição total de novos carros a combustão a partir de 2035 não vá mais acontecer como antes previsto, a oferta será bem diferente. Não haverá muitos modelos novos exclusivamente a gasolina à venda na Europa daqui a nove anos, e a maioria terá alguma solução eletrificada. Fica a dúvida se quais serão os próximos passos do grupo.
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